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domingo, 8 de setembro de 2013

POVOACENSE IMORTALIZADO NA VENEZUELA

O Povoacense José de Sousa Moniz nasceu a 17 de Fevereiro de 1913 na casa que hoje é a Junta de Freguesia da Povoação, era filho de António Moniz e de Maria da Glória de Sousa, casou com Ludovina Furado de Jesus a 10 de Março de 1937, fruto do seu amor nasceram, Maria de Fátima, Simão, José António, Ivone Maria, José Luís, Ricardo Jorge, Mário Manuel e Henrique César.
 
José de Sousa Moniz era canteiro de profissão, dedicado e muito trabalhador. Era o chefe dos canteiros na vila da Povoação. Foi mestre de obra da muralha da ribeira do Além na rua de trás, mais tarde foi convidado para ir trabalhar em Ponta Delgada para levar pedra de uma pedreira da Povoação com o intuito de restaurar a igreja de São José e chefiar a obra de construção do palácio José do Canto.

A história deste Povoacense foi-nos relatada por outro mestre, Luís Diniz, que com alegria relembra o passado deste conterrâneo que, devido aos tempos difíceis daquele tempo, e, com tantos filhos para sustentar atendeu a uma carta de chamada de um compadre seu, partindo assim à procura de uma vida melhor rumo à jovem nação venezuelana desembarcando no porto de La Guaira, nos anos 50. “Era um homem muito trabalhador e muito habilidoso sabia fazer de tudo com mestria e perfeição”, diz-nos com sentimento Luís Diniz, “trabalhava a pedra como ninguém, fez um escudo na muralha do Pé do Salto na perfeição, hoje já não existe devido às intempéries. De uma pedra fez a figura do Presidente da República, o Carmona e fez a coroa do Espírito Santo. É uma enorme pena que tudo isto não tenha resistido ao longo dos tempos e se tenha perdido, tudo por falta de compreensão e falta de amor àquilo que genuinamente é nosso, e que hoje teria um valor incalculável de história, sentimento e presença”. 

Mestre José de Sousa Moniz, mais conhecido entre os Povoacense como mestre José Cardoso ao chegar à Venezuela, Caracas, começou por trabalhar na construção de pequenas moradias em que ele próprio desenhava a planta das mesmas e, deste cedo começou a dar nas vistas pela sua dedicação e perfeição no acabamento das suas construções, de tal forma que responsáveis locais ficaram admirados com tal mestria. Naquela altura os venezuelanos tinham entre mãos um grande e arrojado projecto, a construção de um templo em memória de São Pedro. Queriam fazer uma réplica da Basílica se São Pedro de Roma. Após discussão entre engenheiros e arquitectos locais sobre a arrojada obra, a solução mais complicada passou a ser em quem delegar a responsabilidade da sua construção. É então que surge um responsável local que tinha visto o mestre José Cardoso a trabalhar e, lembrou-se de partilhar com a restante equipa de responsáveis locais que um fulano, emigrante português, era um mestre com atributos incríveis. Neste sentido os responsáveis venezuelanos marcam um encontro com o mestre de obras micaelense, José de Sousa Moniz (José Cardoso) e apresentam-no o que tinham em mente. Desde logo a resposta do mestre Povoacense foi a seguinte, tudo é possível fazer, e eles ficaram todos de boca aberta, pois, um homem que aparece ali diante de arquitectos e engenheiros a dizer que faria tudo o que desejassem foi uma enorme surpresa para todos. Engenheiros e Arquitectos deram a planta ao mestre José Cardoso, que logo começou a discutir com eles como haveria de ser feito aquele templo em memória de São Pedro de Caracas. Todos os pormenores da obra eram discutidos num gabinete chefiado pelo mestre José Cardoso o grande responsável por aquela grande obra.

Mestre Herculano Araújo foi outro mestre Povoacense que acompanhou mestre José Cardoso em Caracas e testemunhou, enquanto lá esteve, a sua mestria em terras venezuelanas. Um jornal de Caracas publicou um artigo sobre esta emblemática obra e descreve as seguintes palavras: «Um grupo de sessenta e cinco trabalhadores, especializados em alvenaria e carpintaria, obedeciam escrupulosamente à direcção de um mestre de obras micaelense, senhor José de Sousa Moniz, homem dotado de uma larga experiência, de excepcional e, sobretudo, de uma preocupação extrema para com a obra que aspirava “ser eterna” » 

O Povoacense José de Sousa Moniz (José Cardoso) faleceu no dia dois de Janeiro de 1970 com um ataque do coração. 

Mestre José Cardoso está imortalizado em Caracas no Templo de São Pedro. A sua figura está estampada em pintura no teto daquela igreja. Os responsáveis daquela cidade venezuelana souberam reconhecer o quanto este homem foi importante na construção do seu templo e não fizeram por menos, lá está e permanecerá para sempre o Povoacense José de Sousa Moniz (José Cardoso) nas paredes da Catedral de São Pedro de Caracas. Para nós Povoacenses deve ser motivo de orgulho ter um irmão nosso com tamanha obra e distinção noutro país. Que ao menos saibamos dar valor à sua história.

No nosso cemitério José de Sousa Moniz (José Cardoso), construiu um jazigo a uma família de Povoacenses que emigraram rumo aos E.U.A., uma obra prima diga-se em abono da verdade, porque, quem vai ao nosso cemitério e repara naquela campa toda talhada à mão a escopro e martelo com o pormenor daqueles bordados todos, fica certamente encantado. Fomos ao nosso cemitério e fotografamos a campa, hoje propriedade do seu sobrinho João Jacinto Sousa Furtado. Está a ser restaurada e merece a nossa admiração, realmente uma obra de arte. 


Para nós foi um enorme prazer dar a conhecer aos nossos leitores esta interessante história, desconhecida para a maioria, mas, estamos certos, que ficará na memória daqueles que se interessam pelo concelho da Povoação suas gentes e seus feitos. 

Pedro Damião Ponte / Fonte: Luís Dinis










1 comentário:

  1. Grande orgulho para todos os Povoaçênses, Ilha de S. Miguel, Açores e Portugal. Obrigado Mestre José de Sousa Moniz.

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