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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

REVERENDO ANTÓNIO JACINTO DE MEDEIROS FILHO DA FREGUESIA DE POVOAÇÃO


Nasceu ma Povoação, a 25 de julho de 1924, sendo o mais novo de três irmãos, dois rapazes e uma rapariga.

Filho de António Jacinto de Medeiros e de Silvana da Conceição Medeiros, pais que “cedo perceberam a vocação religiosa do filho e sempre o encorajaram a prosseguir estudos no Seminário”(20), neto paterno de Manuel Joaquim de Medeiros e de Maria Júlia da Conceição e materno de João Inácio de Medeiros e de Maria da Conceição Medeiros.

O Batismo foi-lhe conferido pelo coadjutor Pe. José de Paiva Amaral, na igreja Matriz da Povoação, aos 13 de Agosto de 1924, (N.º 81, Fls. 22), sendo padrinhos Manuel Tomás Pacheco e sua esposa Evangelina da Conceição Pacheco.

Foi crismado na mesma igreja Matriz, no dia 19 de março de 1935, pelo Dom Guilherme Augusto Inácio da Cunha Guimarães, tendo como padrinho Manuel Soares Brandão.

“Partiu de casa aos 11 anos para frequentar o Seminário de Angra, onde permaneceu por mais onze anos”. Tendo concluído os estudos, foi ordenado Sacerdote na Sé Catedral de Angra, aos 12 de junho de 1949, tendo celebrado a sua Missa Nova na igreja Matriz da Povoação, aos 26 de junho do mesmo ano.

Atividade Pastoral(21)

Entrou ao serviço da Comunidade de São Miguel Arcanjo de Vila Franca do Campo, aos 7 de dezembro de 1949, tendo celebrado a primeira Eucaristia na igreja Matriz de São Miguel Arcanjo, aos 8 de dezembro do mesmo ano. “Foi sucessivamente nomeado Ouvidor Substituto e Vigário Coadjutor, em 11 de março de 1966, Capelão da Santa Casa da Misericórdia, a 11 de março de 1969, Pároco e Prior da Matriz de São Miguel Arcanjo a 8 de dezembro de 1969, data que passa a ser o Ouvidor Eclesiástico de Vila Franca do Campo” (22), cargo este que desempenhou durante vários mandatos.

As suas Bodas de Prata sacerdotais foram celebradas na Matriz de Vila Franca, aos 12 de junho de 1974, o mesmo acontecendo com as Bodas de Ouro, comemoradas com solene Eucaristia concelebrada por vários sacerdotes da ilha, aos 12 de junho de 1999.

Muito se podia escrever sobre as atividades desenvolvidas pelo Prior António Jacinto de Medeiros. No entanto, como não é nossa intenção esgotar o assunto, vamos socorrer-nos de algumas passagens extraídas da obra de Maria Gaspar, já citada, e do semanário A Crença, de 13 de junho de 1999, comemorativo das suas Bodas de Ouro.

“A pastoral social da igreja foi sempre praticada ativamente pelo Prior António. Pouco tempo depois de ter chegado à Vila ambicionou abrir um centro de convívio para os idosos, quando ainda não existia o conceito, pois na sua opinião muitos dos cidadãos mais velhos denotavam existências solitárias, carentes de diálogo e atividade recreativas”. Para concretizar os seus objetivos, “divulgou os seus propósitos junto dos elementos da Comissão Concelhia de Assistência…tendo a sua ideia sido bem acolhida”. No entanto, “o projeto nunca foi avante porque encontrou ‘oposição de alguns vilafranquenses influentes nesta Vila’, talvez porque a ideia não tinha partido deles(23).

O prior António Jacinto de Medeiros pode (e deve) ser considerado um “dinâmico impulsionador da vida religiosa, cultural e social da Vila, como provam as diferentes iniciativas que tomou ao longo de mais de cinquenta anos”(24).

A juventude, sobretudo a feminina, mereceu a sua especial atenção. Pensando nela, fundou a “Casa de Trabalho de Vila Franca do Campo, cujo objetivo foi a formação da juventude feminina do concelho, permitindo a muitas jovens adquirirem qualificações essenciais ao seu desenvolvimento pessoal, social e profissional.

Muitos novo ainda, por morte do Prior João de Melo Bulhões assumiu o cargo de Diretor do Externato de Vila Franca, responsável pela formação e educação de muitas gerações de vilafranquenses, criando as bases para o sucesso social e profissional de muitos deles. Exerceu estas funções até 1987, quando, por força da legislação vigente, o Externato cessou a sua atividade devido à criação da Escola Preparatória de Vila Franca do Campo.

Foi o principal impulsionador de muitas obras na paróquia e na Santa Casa da Misericórdia, nomeadamente a construção das Capelas do Senhor dos Passos e do Senhor Bom Jesus da Pedra, construção da escadaria e do Santuário de Nossa Senhora da Paz e melhoramentos na zona envolvente e grande restauro da igreja Matriz.

Foi fundador do Agrupamento 436 dos Escuteiros de Vila Franca do Campo.

Assumiu, ainda, as funções de Diretor de Semanário “A Crença”, órgão de comunicação social, fundado pelos padres Manuel Ernesto Ferreira e Cónego João de Melo Bulhões, jornal que desempenha um importantíssimo papel na divulgação da Mensagem Cristã e das notícias vilafranquenses, quer a nível local, quer junto das comunidades emigrantes.

A ele se deve também a instalação de um Jardim de Infância para apoiar os filhos das mães trabalhadoras e a construção do Salão Paroquial, onde se ministra a catequese e se promovem atividades de caráter religioso e cultural, dando grande apoio aos Grupos de Jovens.

O articulista afirma a certa altura: “… guardo o exemplo da dedicação e empenho pelas causas justas, o interesse prioritário pelo bem do próximo, o respeito pelas memórias privadas e coletivas, a obediência esclarecida e convicta pelas instituições e as leis dos homens e de Deus”.

No dizer do Professor Orlando Augusto Brandão, outro articulista, “O Prior António Jacinto Medeiros soube deter a marcha do seu Tempo e nele fixar-se, apercebendo-se da fragilidade das coisas terrenas e da inconsistência dos êxitos fáceis. Soube ter força necessária para reconhecer a sua fraqueza humana e fortalecer-se no Senhor, dedicando-lhe todas a sua vida ao serviço do Próximo. Vila Franca jamais esquecerá o seu nome pois as obras que realizou e a ação espiritual que desenvolveu ultrapassaram em muito o que humanamente lhe era exigido e projetaram-se com grande impacto no engrandecimento e valorização do nosso património sócio-cultural e religioso, honrando este Conselho, de que é Cidadão Honorário, e a sua terra natal, o Concelho da Povoação”(25).

Como sinal do profundo reconhecimento dos vilafranquenses, a Câmara Municipal deliberou atribuir o seu nome a uma rua da Vila e colocar a sua fotografia no Salão Nobre dos Paços do Concelho, junto de outros grandes vultos vilafranquenses, que muito deram ao concelho.

Na situação de Prior jubilado da Matriz de S. Miguel Arcanjo, foi nomeado por Sua Excelência Rev.ma, D. António de Sousa Braga, Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Paz, ao qual dedicou muito do seu empenho e zelo pastoral.

Faleceu em Vila Franca do Campo, no dia 1 de setembro de 2006, contando 82 anos de idade. A data da sua morte coincidiu com o encerramento das Festas do Bom Jesus da Pedra que tanto promoveu e nas quais sempre pôs todo o seu entusiasmo. Ainda chegou a participar no Tríduo, na procissão da Mudança no sábado e na solene concelebração do domingo de Festa, a qual foi presidida pelo Bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, bem como na Procissão. O seu último ato público foi no Santuário da Senhora da Paz, no final da tarde de quarta-feira, na peregrinação anual dos emigrantes.

Os jornais noticiaram a sua morte(26) destacando que ele marcou “uma época de meio século que os vilafranquenses não esquecerão”, pois “deixa uma obra notável a todos os níveis e será sempre recordado pelo seu temperamento forte e disciplinador, mas, ao mesmo tempo, humano, sensível e empreendedor”(27).

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, na sua reunião de 4 de setembro aprovou um Voto de Pesar pelo seu falecimento. “Por toda a sua vida e obra, é imenso o reconhecimento do Povo vila-franquense, e esta Câmara Municipal, sua legítima representante, exprime, em tão dolorosa circunstância, o seu profundo pesar pelo falecimento do Senhor Prior António Jacinto de Medeiros, e que o mesmo seja transmitido à Diocese de Angra do Heroísmo e ilhas dos Açores, à Paróquia da Matriz de S. Miguel Arcanjo e ainda aos seus familiares”.

“Sacerdote por opção e vocação, íntegro e dedicado, disponível e persistente, deixa aos vilafranquenses que serviu, uma notável e incontornável herança, enquadrada na sua ação pastoral, na cuidada e empenhada preservação e valorização do património religioso e, sobretudo, no dia-a-dia no elevado exemplo de dedicação, empenho e doação aos vilafranquenses…” (Correio dos Açores, 1 de outubro de 2006, p.20).

Terminamos com texto dos párocos in solidum: “Há muitos que passam pelo mundo como passam as palavras: leva-os o vento. O padre António Jacinto de Medeiros não passou como passam as palavras. Da sua vida e trabalho, ficou algo que será registado para sempre na história de Vila Franca do Campo”(28).

_____________________________
20 Cf. Maria Gaspar, Nossa Senhora da Paz Santuário Mariano do Atlântico, Vila Franca do Campo, Editorial Ilha Nova, Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2004., pp. 97-120
21 Cf. Idem.
22 Cf. Maria Gaspar, ob. Cit., p. 98
23 Maria Gaspar, ob. cit., pp.98-99
24 Maria Gaspar, ob. cit., p. 99
25 Cf. Maria Gaspar, Nossa Senhora da Paz Santuário Mariano do Atlântico, Vila Franca do Campo, Editorial Ilha Nova, Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2004; A CRENÇA, n.º 4131, de 13 de junho de 1999, Edição especial comemorativa das Bodas de Ouro sacerdotais do Prior António Jacinto de Medeiros.
26 Cf., entre outros, “Morreu o último Prior da Vila”, Correio dos Açores, 2 de setembro de 2006, pp. 1 e 5; “Sr. Prior, é Rui [Presidente da Câmara], Correio dos Açores, 8 de setembro de 2006, p. 15; “Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Voto de Pesar”, Correio dos Açores, 6 de outubro de 2006, p. 27; “A Homenagem merecida”, e “Em memória e com memória”, Correio dos Açores, 1 de Outubro de 2006, p. 20; “Recordando com Saudade”, A Crença, 14 de setembro de 2007, p. 6; “1º Aniversário”, A Crença, 14 de setembro de 2007, p. 6; “Recordando o senhor Prior…”, A Crença, 14 de setembro de 2007, p. 7;
27 Morreu o último Prior da Vila, Correio dos Açores, 2 de setembro de 2006, p. 1.
28 Correio dos Açores, 1 de Outubro de 2006, p. 20.

Fonte: Clero da Ouvidoria da Povoação de Octávio Henrique Ribeiro de Medeiros (2ª Edição revista e atualizada, ano de 2014)

Povoação, sexta-feira, 21 de dezembro de 2018.

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