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quarta-feira, 8 de abril de 2015

O PARAÍSO EM SÃO MIGUEL

Nós, açorianos, damos pouco valor ao que temos.

É preciso que alguém de fora releve as nossas potencialidades, para então sairmos do conformismo ilhéu e reconhecer as nossas imensas riquezas.

Hoje dou o exemplo das Furnas, o sétimo céu da nossa oferta turística, com um instrumento poderosíssimo chamado Terra Nostra Garden Hotel, o cantinho paradisíaco do imenso vale celeste.

Relevo o tema porque é neste início de Primavera que as Furnas se tornam no deslumbramento mais sublime.

Raul Brandão, no relato de “As ilhas desconhecidas”, dizia que “a verdadeira Primavera, aqui, é o Outono, em que cada árvore parece uma flor gigantesca e as Furnas tomam cores de outro mundo quimérico”.

Desfrutar este ambiente é um privilégio que já vem de longe, marcado por um americano chamado Thomas Hickling, então Consul dos EUA em São Miguel, que construiu a sua residência de verão, a “Yankee Hall”, no meio de 12,5 hectares de jardins, matas e lagos deslumbrantes, em 1775, hoje o Parque Terra Nostra, do Grupo Bensaúde.

É neste “luxo verdejante” que se ergue o emblemático hotel de charme, agora profundamente renovado, misturando a sua tradicional Art Deco com os traços modernos do nosso tempo.

O Terra Nostra Garden Hotel, considerado pela revista internacional “Condé Naste Traveler”, como um dos 10 melhores “Retiros Verdes” do mundo, bem poderia classificar-se com 5 estrelas, e a sua cozinha a raiar a estrela Michelin.

O Chef Luis Pedro e a sua jovem equipa concebeu agora, para este Outono/Inverno, uma carta gastronómica que é um hino aos produtos locais e à ambiência idílica das Furnas.

É justo mencionar alguns pratos, definidos como uma explosão de sabores do Atlântico misturados com texturas e cores dos nossos campos: para entrada, um carpaccio de beterraba, puré de grão, limão galego e vinagrete de avelãs; mas pode também optar por um ceviche de lírio, com lima, coentros e limão galego confitado; sugere-se, depois, uma veja escalfada em caldo de peixe, aromatizada com erva príncipe, servida com batata doce, abóbora e pimentos; ou então um entrecosto cozido a baixa temperatura e assado, pézinhos e boletus, tarte de cebola e um puré de batata com infusão de alecrim; a fechar, um pudim de queijo velho de S. Miguel com gelado de tomarilho; em alternativa, um crepe recheado e flamejado com ananás e gelado, acompanhado por um Czar do Pico, em homenagem aos tradicionais e saborosos crepes de Mestre José Dias no Hotel S. Pedro.

Mas o mais surpreendente são os “amuse-buche” do Chef, que até utiliza, pela primeira vez na história do hotel, os famosos cogumelos Boletus do próprio Parque.

Esta é apenas uma amostra da carta, que continua a incluir os seus pratos de marca, como o cozido nas caldeiras ou os filetes de abrótea, tudo regado com uma carta de vinhos, escolhida há poucos dias pela “Revista de Vinhos” como uma das 52 finalistas do concurso de “Melhor Carta de Vinhos de 2013” em Portugal.

Na velha cave do Terra Nostra é tão possível conviver um D. Perignon Vintage de 1996 com uma Magnum Romeira de 1970 (relíquia divinal), ou um “Diga?” branco de 2008 com um Porto Ferreira Vintage de 1999.

O epílogo é um passeio pelo Parque, entre as mais de 600 qualidades de camélias, e, mais tarde, um mergulho na célebre piscina de água férrea entre 30 a 40 graus de temperatura natural, ou então a piscina interior com hidromassagem, sauna e banho turco.

Tempo ainda para visita à nova esplanada, junto à entrada do Parque, com uma tradicional “clubsandwich” ou, mais afoita, uma alheira crocante de Santa Maria com doce de pêro das Furnas.

Nesta transformação exuberante que o Terra Nostra oferece, o melhor de tudo continua a ser os seus colaboradores, onde é notória a satisfação e o orgulho estampados nos rostos maioritariamente furnenses, fazendo jus à velha escola deste hotel, desde 1935.

Por aqui passou e continua a passar gente experiente, com décadas de serviço, que vai transmitindo os ensinamentos aos quadros mais novos, incluindo os reclassificados, como um antigo jardineiro agora porteiro.

O Terra Nostra vive sempre do seu tempo.

Do tempo do alegre João Rodrigues, do cavalheirismo de Duarte Pimentel, do hospitaleiro-mor Mário Oliveira, da simplicidade do José de Paiva e, agora, do jovem inovador Carlos Rodrigues.

Cada um com a sua história, cada um com os seus mestres, desde o Sr. Rosa, o Sr. Basílio, o Sr. António Carvalho, até aos dias de hoje, com o Sr. João Vertentes, 38 anos de casa, a comandar uma sala com uma equipa fantástica.

É destas histórias de magia que se faz o turismo da nossa região.

Tomara nos orgulharmos de outros sectores que enriquecem o nosso património e que precisam de mais reconhecimento.

Afinal, como se vê, o paraíso é aqui tão perto.

Osvaldo Cabral


Fonte: Vale da Furnas Digital

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