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sábado, 24 de maio de 2014

NOS ALTARES DESTA VIDA!

Estar é a dimensão humana do Ser que é Deus. Ele simplesmente é. “No princípio era o Verbo! E o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus!” ( João, 1,1).

A grandeza deste Dia do Senhor, em Ponta Delgada, perante a Sua Imagem que diviniza o humano, nAquele rosto sofrido de serenidade e paz, que hoje se mostra em trono luzente de ouro e flores, incenso e ritos, tem a Sua plenitude na Palavra que atravessa o tempo e os lugares e caminha no coração de cada pessoa, de cada homem e de cada mulher, tocados pela Fé e pela tradição, independentemente de origem ou condição.

Das grades do Coro-baixo do Santuário da Esperança, o culto ao Senhor Santo Cristo espalhou-se pelo Mundo inteiro, onde há um açoriano, precisamente porque a Palavra não é para ficar fechada, mas para ser testemunhada.

Este sentimento que todos temos dentro de nós e que se revela com a palavra saudade nas ausências a que somos obrigados multiplica a dor e aumenta a Fé, não no Deus que é, mas no Deus que está, à nossa humilde dimensão, na bela representação escultórica que é a imagem do Ecce Homo de Ponta Delgada.

Com este texto está uma foto. Foi-me mandada por uma pessoa amiga, cujo nome não tenho receio de revelar aqui: Carlos A. C. César, colaborador deste jornal Correio dos Açores, que na capital tem estado, por motivo de doença que ainda obriga a sair da Região, mesmo em tempo de festa, mesmo em dias do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Ele, como muitos outros, ao longo de todos estes anos, ao longo de toda a nossa história. E aqui está. Com que sentimento, com que alegria e com que saudade se encontra um altar dedicado ao Senhor Santo Cristo, em plena cidade de Lisboa!

Segundo ele próprio me disse, o altar que a foto mostra é montado na igreja de Nossa Senhora da Vitória, que fica localizada na baixa de Lisboa, Rua da Vitória, uma das transversais à rua Áurea que liga com a estação do metro “Baixa Ciado". E isto devido à devoção de um colaborador daquele templo, de nome Francisco, natural da Ilha Terceira, segundo o qual esta tradição começou há cerca de uma dezena de anos, desde que se deixou de fazer a festa que era promovida pela Casa dos Açores na Capela da Senhora da Conceição, na Rua da Alfândega, perto da Praça do Comércio.

O que interessa, e seguindo o atento e comovido relato de Carlos A. C. César, é que desde o primeiro dia, esta iniciativa teve muita adesão por parte das pessoas, e segundo o seu impulsionador, é hoje a festa que mais gente reúne naquela Igreja da Vitória, onde se realiza no Sábado do Senhor, com a oração do terço seguido de Eucaristia solene.

É, pois, natural, o desabafo do autor da foto : “Caro amigo, estando em Portugal, senti hoje os mesmos sentimentos dos nossos emigrantes quando longa da sua terra e vêem qualquer “coisa” que os liga à terra, emoção, saudade, alegria…”

Ao longo da minha vida de jornalista, nestes mais de quarenta anos ligado aos jornais e de forma muito especial ao Correio dos Açores, já escrevi sobre muitas situações e já vivi muitas outras, em que o culto ao Senhor Santo Cristo se mistura com o quotidiano das pessoas, como Sol oculto em dia de chuva, mas que lá está sempre porque é a origem, o fundamento e a razão de ser de toda a existência. Já vi, na Lagoa, arder uma casa e ficar na parede, intacto um pequeno quadro com a imagem do Senhor Santo Cristo. Já vi a morte de meu irmão, no Hospital do Divino Espírito, segundos depois de sobre ele ter sido estendido o manto do Senhor Santo Cristo. E no meu longo internamento de quase dois anos em Alcoitão, passei a dor da ausência nestes dias de festa, quando ainda não havia transmissões na net que nos permitissem seguir os momentos mais emblemáticos da Festa. E dois dias depois, quando recebemos o jornal, com o Suplemento especial da Festa do Senhor, ele andou de mão em mão, por todos os açorianos ali internados e não só, como se de coisa sagrada se tratasse. E muitos continentais puderam ver a fé e o carinho com que esta devoção é sentida pela gente das nossas ilhas.

Por isso, senti e emocionei-me, ao ver numa rede social a foto de Carlos A. C. César que me inspirou este texto. Porque eu sei e sinto que Deus nunca falta se a Fé não faltou, como se canta no Hino do Santíssimo, e conheço que as manifestações de devoção à Imagem do Ecce Homo não se julgam pela Teologia, nem pelos ditames pastorais. Apenas se regem pelo coração de cada um ou de cada uma, numa relação directa com Deus.

Eu aqui deixo a Teologia para os teólogos e prefiro permitir que o meu coração seja um coração de criança que confia plenamente no pai e na mãe e sinto que no Senhor há a autoridade do Pai e o desvelo de Mãe.

Já escrevi e repito aqui agora. Para quem está longe, seja por que motivo for, saúde, vida, emigração, pobreza, família, pranto ou riso, o Senhor Santo Cristo sai das grades do Convento mas não sai da grade da saudade que sufoca mais do que qualquer sofrimento. Simplesmente que aquele Senhor tão sofrido na História apenas quer que se construa uma História com menos sofrimento. E este seria o grande milagre do Tempo Novo, em que assenta a nossa Esperança de quem acredita num Deus Ressuscitado, que a todos dá Vida, e sentido para as dores que a vida nos traz!

Na Tua imagem Senhor,
Louvor e glória s’encerra!
Rei e Mestre do Amor,
Deus do Céu descido à Terra.

Todos Te cantam vitória
Todos fixam Teu olhar…
Todos guardam na memória
Esta bondade sem par.

E por tudo te agradeço
Rei de paz e Deus de luz.
Sei que olhar-Te não mereço
Olha-me tu, ó Jesus!

No Teu trono és imenso
Revestido de mil flores,
Perfumado de incenso
E do olhar dos pecadores.

No Teu doce coração
Quando surge a tempestade
Há sempre uma oração
Que nos traz felicidade!

És a Glória do teu povo,
Santo Cristo desta terra.
Faz do mundo um mundo novo
Faz que a paz nasça da guerra!

Santos Narciso

Fonte: Publicado ontem no Suplemento do Jornal Correio dos Açores

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