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sábado, 23 de novembro de 2013

PATRIMÓNIO DA POVOAÇÃO DESTRUÍDO

A Vila da Povoação foi a primeira terra a ser povoada na ilha de São Miguel, foi aqui que desembarcaram os primeiros povoadores.

A história nos diz que a ermida de Santa Bárbara edificada no lugar com o mesmo nome, na Lomba do Carro, é o local de culto mais antigo da ilha de São Miguel. Nesse lugar os povoadores rezaram a primeira missa nesta ilha, pois, como era costume nas viagens marítimas dessa época traziam consigo um ou mais sacerdotes. Foi construída no séc. XV e localiza-se estrategicamente naquele lugar. É uma das mais lindas vistas panorâmicas sobre as restantes Lombas e Vila da Povoação. Isola-se através da sua localização, numa elevação de terreno, ocupando uma posição central onde se pode tirar magníficas fotografias. É um local calmo que transmite muita paz e harmonia. No cimo do monte de Santa Bárbara vislumbra-se todo o território, incluindo o porto, constituindo um elemento de referência para quem se aproxima da Vila da Povoação, quer por terra, quer por mar. Daquele amistoso local estabelece-se diversas relações visuais.

Como já percebeis aqui está um património riquíssimo ao abandono. O Engenheiro Medeiros Ferreira começou as obras de recuperação da ermida de Santa Barbara, deixando-a com armação, telha, sobrado, portas e janelas novas. Acabar de concluir a tão desejada recuperação de tão rico património teria sido tarefa fácil. Precisamente em 1993 novo executivo assume a presidência da Câmara Municipal da Povoação. Após a sua tomada de posse foram muitas vezes alertados para a situação da ermida de Santa Barbara, mas, como resposta aos alertas lançados resolveram presentear-nos com o seu perentório desprezo. Infelizmente demonstraram aos Povoacenses desde logo que pouco conheciam a terra onde vivem. Numa situação destas tinham toda a obrigação de se inteirarem do património histórico da sua terra e zelar por aquilo que de mais rico possui a Povoação, isso sim, teria de ser uma das prioridades, bem como de todos os outros que os seguiram. Mas a triste verdade é que ignoraram a obra de recuperação e deixaram a ermida de Santa Bárbara ao abandono.

Descendo Santa Bárbara vai-se de encontro à beira-mar moderna e desfigurada da sua real identidade. Aqui mais uma vez os modernos responsáveis da Povoação não deram o devido valor à história. Homens desprovidos de cultura regeram-se sempre pelo seu instinto intelectualmente pobre, muito pobre, de tal forma que a construção do atual porto (obra executada e financiada pelo Governo Regional), é um autêntico aborto. Aqui mais uma vez foram alertados por pessoas conhecedoras da história da Povoação e por profissionais do mar. A boca do porto teria de ser construída ao contrário do que atualmente se encontra, ou seja, com a boca virada para o lado da Ribeira Quente. Na primeira pessoa, eu, Luís Diniz e Manuel Godinho (já falecido) alertamos para o facto da construção do novo porto com proteção de molhe, forçosamente teria de seguir as linhas orientadoras da história. Na foto que aqui exibo é bem visível como era o porto antigamente e, era este o rumo que deveriam ter seguido os responsáveis pelo aval final do projeto, mas preferiram arrebatar para segundo plano quem realmente tinha conhecimento de causa para ouvir fracos sábios.

Reza a história que as freguesias do concelho junto à costa, casos do Faial da Terra, Vila da Povoação e Ribeira Quente, possuíam portos protegidos por um forte molhe em pedra, designados por “fortes”. Infelizmente os grandes temporais que se fizeram sentir ao longo destes anos foram desgastando os antigos molhes, e assim, o “forte” de N.ª Sr.ª da Graça, Faial da Terra desapareceu, o de São Paulo, Ribeira Quente, também desapareceu e finalmente o “forte” da Mãe de Deus que resistiu durante mais algum tempo, também acabou por desaparecer. Chamava-se “forte” Mãe de Deus, porque a atual igreja da Praça Velha foi a primeira paroquial da Povoação, primitivamente sob a invocação de N.ª Sr.ª dos Anjos, depois de N.ª Sr.ª Mãe de Deus e a partir do momento em que se construiu a Igreja Matriz, N.ª Sr.ª do Rosário. Demonstra-se aqui, mais uma vez, que o saber dos homens mais antigos foi categoricamente ignorado!

Percorrendo a beira-mar mais à frente vamos dar com um mamarracho, o Pavilhão Gimnodesportivo. Outra obra adulterada! Só mesmo os menos atentos não se lembram do passado recente. O Engenheiro Medeiros Ferreira aquando do seu último mandato tinha um ambicioso projeto aprovado em Assembleia Municipal para a construção de uma piscina e uma biblioteca pública. As verbas chegadas das comunidades permitiam avançar com iniciativas a nível social, recreativo, cultural e desportivo, coisa que o Engenheiro Medeiros Ferreira soube muito bem aproveitar. Os seus arrojados projetos em execução e merecedores de aprovação, naquela altura eram os seguintes: Construção de uma biblioteca moderna já preparada para receber futuramente os modernos computadores e respetiva internet, um conjunto de piscinas, um auditório que era fundamental para a vila, parques desportivos, os próprios caminhos que representavam muito no desenvolvimento de uma zona voltada para a agro-pecuária, saneamento básico e rede de esgotos. O Engenheiro Medeiros Ferreira numa visita às comunidades emigrantes no seu último mandato proferiu as seguintes palavras ao jornal “Portuguese Times”: -“Nós temos três fatores de desenvolvimento. As pescas radicadas na Ribeira Quente; a agropecuária, somos uma das boas bacias leiteiras dos Açores e o turismo, temos as Furnas que são a sala de visitas dos Açores. Nós temos um hotel com 40 quartos nas furnas. Temos a estação termal em fase de acabamento. Temos uma residencial na vila da Povoação e a câmara tem em projeto a construção de um hotel com 40 quartos.” A verdade é que alguns destes arrojados projetos, os que lhe seguiram no poder local, conseguiram destruir. Caso das piscinas e biblioteca pública que a ser construída seria a melhor do país. Debaixo do chão do Pavilhão Gimnodesportivo tiveram a coragem de enterrar cerca de 156 mil contos. Este dinheiro bem empregue dava para requalificar algum do nosso património ou reconstruir/construir habitação social para albergar as famílias mais carenciadas do concelho etc.

Hoje, muito se fala na crise e na agonia financeira que a Câmara Municipal da Povoação vive, mas, vive precisamente do reflexo dos sucessivos erros brutescos do passado, provocados por mentes inteligentemente superiores e sábias! Infelizmente, hoje estamos todos nós a pagar a fatura!

A terminar resta-me apelar ao povo que nutre algum sentimento pela sua identidade/cultura e amor ao seu concelho, o mais lindo dos Açores, que reflita.

Luís Dinis










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