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terça-feira, 7 de maio de 2019

ENTREVISTA AO RIBEIRAQUENTENSE CÉSAR CARVALHO NA RUBRICA BASTIDORES, DO JORNAL AÇORIANO ORIENTAL.

Começou a tocar guitarra aos 14 anos, fez parte dos “Ex-Libris” e passou pela filarmónica local. Actualmente, faz dupla com o irmão (Rafael Carvalho) na guitarra clássica. A sua história musical segue dentro de momentos.
Quando é que descobres que tens talento para a música?
Comecei a aprender a tocar guitarra (violão) aos 14 anos com o meu pai, que me ensinou os primeiros acordes. Depois fui praticando e evoluindo com a ajuda do meu irmão e com a integração no Grupo Folclórico de São Paulo da Ribeira Quente. Comecei também a integrar o “Grupo do Menino Jesus”, que percorre as ruas da minha freguesia por altura do Natal, para recolher donativos para a Igreja. Gostava muito do que fazia, tanto que nunca mais parei de tocar, pelo que, diria que terá sido nessa altura que ganhei o gosto pela música. No entanto, na época era tudo aprendido “de ouvido” e por imitação. Só comecei a aprender a ler música por pauta muitos anos mais tarde, quase aos 30 anos de idade.
A guitarra clássica foi uma opção, estava mais à mão ou foi uma imposição?
Foi uma opção, mas por acaso até estava mais à mão. Nunca foi uma imposição, até porque também aprendi a tocar Viola da Terra. O meu pai tinha uma guitarra que costumava tocar quando a luz ia abaixo (o que acontecia muito na minha infância) e aquele som consolava a ouvir.
Houve uma altura em que toda a gente (aos 15 ou 16 anos) fazia parte de uma banda. 
Também caíste nessa tentação?
Não lhe chamaria tentação, mas sim o desenvolvimento natural das coisas. Era jovem, queria tocar, quanto mais melhor e, por isso surgiu naturalmente uma banda. Éramos três pares de irmãos, todos naturais da Ribeira Quente e formámos uma banda a que chamámos de “Ex-Líbris”. Tocávamos covers e tínhamos alguns originais no nosso repertório, e queríamos tocar apenas música em português. Foram bons anos de camaradagem e crescimento musical e pessoal, que ainda recordo com saudade.
Musicalmente, nessa altura, que artistas ouvias?
Ui, eram tantos. Foi mais ou menos por essa altura que comecei a ouvir Scorpions, Queen, ABBA, depois surgiram os Mamonas Assassinas, entre outros, isto no contexto internacional. Ouvia também muita música portuguesa: Íris, Xutos e Pontapés, Delfins, Mafalda Veiga, GNR, Resistência, UHF, ouvia o Fado (por influência da minha mãe e a sua adoração pela Amália Rodrigues), entre tantos e tantos outros.
Que importância atribuis às bandas filarmónicas, sendo que fizeste parte de uma?
Acho que as bandas filarmónicas desempenham um papel muito importante na nossa sociedade. Ensinam que temos de ter regras, temos de respeitar toda a gente, temos de nos empenhar se queremos ser alguém na vida. São valores que já devemos trazer de casa, obviamente, mas que são solidificados neste tipo de grupos. Não é fácil fazer parte de uma coletividade deste género, são muitas opiniões, há muitas divergências, mas acho que é mesmo nisto que reside a riqueza de uma banda filarmónica, a diversidade. Temos de aprender a conviver e a respeitar a opinião de todos, de modo a sermos mais unidos e fazermos um bom trabalho.
Lembro-me de, pela festa de São Paulo, ir até ao adro da Igreja ouvir as filarmónicas a tocar, enquanto a maior parte dos meus amigos e jovens da minha idade iam para os “carrinhos de choque”. Gostava daquele ambiente, daquela sonoridade. Mal sabia eu que um dia iria fazer parte de uma filarmónica.
Em termos culturais, o que representam na tua opinião?
As bandas filarmónicas são um importante marco cultural desde que existem, e assim continuam a ser nos nossos dias. É nas filarmónicas, na maioria das vezes, que as pessoas têm o seu primeiro contacto com a música. São muito utilizadas nas comunidades em que estão inseridas para os mais diversos fins: procissões, eventos religiosos, receção a entidades oficiais, concertos, entre outros. São entidades compostas por mulheres e homens, de idades muito diferentes, coisa que não acontece com todos os grupos, pelo que têm a sua própria identidade. Acho que, cada filarmónica, é um importante capital social na comunidade em que está inserida, sendo de extrema importância que sejam sempre apoiadas por todos, entidades, governantes e o povo.
Porquê o saxofone e, já agora, como foi a adaptação?
Há muitos anos que gostava do som do saxofone. Quando comecei a ter as primeiras aulas de música, os formadores perguntaram que instrumento gostaria de tocar, e eu respondi, naturalmente, que queria tocar saxofone. Disseram-me que seria um bom elemento para tocar o sax barítono, pelo que, foi o primeiro instrumento que toquei na banda. Entretanto, o sax teve de ser devolvido, porque era emprestado, e foi quando comecei a tocar sax tenor, que continuei a tocar nos restantes anos em que pertenci à banda. A adaptação ao instrumento foi boa. Ao princípio era difícil sair algum som, visto não ter “embocadura”, mas depois, com a prática e o treino, adaptei-me bem ao instrumento. É o instrumento com o som mais bonito de uma filarmónica, na minha humilde opinião.
Para além do projecto com o Rafael Carvalho tens ou tencionas ter outros envolvimentos musicais?
Tenho tido muitos concertos em duo com o Rafael, e, de há uns 3 ou 4 anos a esta parte, temos também tocado em trio juntamente com a Carolina Constância (Trio Origens). Costumo compor, uma vez por ano, uma música para a Gala Regional dos Pequenos Cantores Caravela D’Ouro da Povoação. Tenho igualmente colaborado, pontualmente, com grupos folclóricos, com os escuteiros da Ribeira Quente, e há sempre novos projetos que vão surgindo, em que gosto de participar sempre que tenho disponibilidade. Neste momento estou também envolvido num projeto com a Tuna Povoacense, numa homenagem que será feita ao seu fundador, o Sr. Daniel Leite (poderão saber mais pormenores na minha página do facebook). Novos projectos são sempre bem-vindos, tudo depende, sempre, da disponibilidade.
Por falar em Rafael Carvalho, como é que o descreves?
O Rafael é um lutador. Luta todos os dias para que a sua grande paixão – a Viola da Terra – consiga atingir o seu lugar de direito no panorama musical regional e nacional. A Viola da Terra é o nosso instrumento de eleição, o expoente máximo da nossa cultura musical e o Rafael é o seu maior embaixador. Tem ultrapassado muitos obstáculos, derrubado muitos muros e construído muitas pontes para alcançar este objectivo. E não tem sido fácil. Mas ele não desiste. Fundou, com a ajuda de alguns amigos, a Associação de Juventude Viola da Terra, o que deu mais alguma visibilidade ao instrumento. Mas tem sido muito a nível pessoal e à custa de muitos sacrifícios, que ele tem conseguido demonstrar que a Viola da Terra pode estar num palco, em pé de igualdade, lado a lado com qualquer outro instrumento e com a qualidade que se exige.
Actualmente que música consomes, para além da popular/tradicional?
Neste momento a minha “lista de reprodução” é composta por 90% de música dos anos 80. Adoro aquelas músicas e ouço-as constantemente. Ouço também nomes como: Mariza, António Zambujo, Pedro Abrunhosa. E estou apaixonado por 3 ou 4 temas da banda sonora do filme “Nasceu uma Estrela”, com a Lady Gaga e o Bradley Cooper, ouço-as todos os dias.
Tens algum artista favorito ou até mesmo um guitarrista de eleição?
Não, não tenho. Ouço vários tipos de música, de várias gerações. Se for uma música de que eu goste, eu ouço. Não há um artista ou mesmo guitarrista que eu possa destacar de entre todos.
Gravar um disco em nome próprio, já te passou pela cabeça?
Não, é uma ideia que nunca me surgiu, até porque sou um guitarrista “acompanhador” e não solista. Tenho colaborado em álbuns de vários artistas, mas sempre a acompanhar o solista, a marcar o ritmo. Não me sinto à vontade nem tão pouco tenho conhecimentos e aptidão para ser solista. Gosto do que faço e acho que estou bem como estou, dando o meu contributo à minha maneira.
Redes sociais, passas por lá às vezes ou usas em termos profissionais/musicais?
Sim, costumo aceder ao facebook praticamente todos os dias. É através do facebook que vou seguindo os trabalhos de vários artistas regionais e é também nesta rede social, que costumo partilhar eventos que acho importantes no panorama cultural da nossa região. Uso também para promover os concertos do Trio Origens e de outros projetos em que me vou envolvendo. É uma importante ferramenta de divulgação, pois consegue chegar rápida e facilmente a toda a gente que a utiliza.
Quero, para finalizar, agradecer a oportunidade que me foi dada para dar a conhecer um pouco do meu percurso musical. Obrigado a todos os artistas com quem me cruzei e ao lado de quem actuei ao longo destes anos. Foram todos importantes para o meu crescimento pessoal e musical. Um abraço a todos.
In Jornal Açoriano Oriental, 29 de abril de 2019
Fotografias de Miratecarts e Fernando Resendes

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