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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

RIBEIRA QUENTE - OS TÚNEIS DA LIBERDADE: TÉCNICAS E MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (continuação)

Rasgar um túnel era tarefa que exigia conhecimentos que passavam pela aplicação de uma série de estudos do terreno, incluindo uma série de mediações, para se poder iniciar corretamente as escavações.

Depois de executados esses trabalhos preliminares, montava-se uma armação em madeira, construída por várias ripas, designadas de simples, que eram numeradas e unidas até tomarem a forma da abóbada do túnel.

No caso do primeiro túnel, iniciou-se a escavação pelo lado das Furnas em direção à Ribeira Quente.

Montada a armação em madeira, passava-se à primeira fase de execução, que se iniciava pela parte frontal superior do túnel.

À maneira que se escavava a terra e perfurava a rocha, os lados e o teto do túnel eram apoiados com simples, que nesta função específica tomam o nome de pontaletes, formando assim a designada cozinha (galeria).

Procedia-se à segunda fase, que consistia na escavação dos lados laterais superiores do túnel.

Simultaneamente, o teto do interior do túnel era preenchido com pedra solta, cada qual com 20cm de altura, feitas por medida, como nos afirmou o Sr. José Pimentel, para que a parte de cima adquirisse um peso superior à dos lados laterais a fim de evitar o derrubamento da estrutura.

Toda a cantaria era suportada pelos cochins – paus em madeira, cuja função era suportar a cantaria. Depois de segurada a pedra, retiravam-se os cochins e a armação de simples para se avançar a escavação na parte inferior do túnel. Iniciava-se novamente a escavação pelo centro e de seguida nos lados laterais.

Numa terceira fase, procedia-se à colocação das aduelas (blocos talhados em cunho) que formavam o arco, suportando-se entre si, cuja força descende do peso da construção e é dirigida para fora, suportando-se nos pilares e apoios laterais.

A colocação das aduelas do arco efetuava-se no sentido dos pontos de nascente (lados) em direção à pedra de fecho ou chave do arco. Toda esta cantaria era unida por uma argamassa de cimento, barro e cal.

A parte exterior, circundante ao arco, era revestida igualmente de pedra e argamassa, formando o plano de parede que suportava o túnel.

Em relação ao primeiro túnel, verifica-se no arco de entrada, do lado das furnas, uma ligeira imperfeição na junta (encaixe dos dois lados do arco).

No caso do segundo túnel adota-se um novo método na abertura do túnel.

Desta vez, o local para a abertura do túnel fora calculado cuidadosamente pelo exterior, de uma extremidade à outra, com o objetivo de se efetuar a perfuração em simultâneo de ambos os extremos do túnel.

A abertura do túnel, partindo de ambas as testas para o centro, traduziu-se numa aceleração dos trabalhos e numa maior perfeição da obra.

Resta-nos ainda acrescentar, em relação aos materiais de construção, que ambos os túneis encontram-se revestidos com pedra, extraída da pedreira junto ao local de construção dos mesmos.

Fonte: Livro de Maria de Deus Raposo Medeiros Costa “Os Túneis da Liberdade”  

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