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quarta-feira, 5 de abril de 2017

O MILHAFRE

Sobrevoava as ilhas o milhafre é amor à primeira vista, por elas se enamora por ter alma açoriana, enfeitiçado fica com a beleza e encantos o azul verde-mar que nos rochedos se esbate. Ilha bela, sereia deitada ao sol adornada de espuma rendilhada de búzios, corais e algas. Vai à festa, faz festa rija e cora de prazer vendo o Deus Apolo banhar-se rendido a seus pés. Deslumbrada anda com a brisa amiga por caminhos e atalhos, comem amoras silvestres, caminham em ondas de azul e branco das hortenses a matizar paisagens de encanto.

Na densa vegetação verde, o doirado das rocas floridas, retângulos e quadrados lavrados entre a mata e a relva são enorme manta de retalhos.

Casas dispersas ou aglomeradas de cores garridas, rosas do Japão, azálias floridas, árvores exóticas, um mundo de sonho. Sonhamos, todos temos voz e gritamos como o milhafre neste espaço fechado de céu e mar, bruxaria ou não entre fumarolas ferve a água no chão.

Arrenega pra lá Santanás. Quero viver no paraíso como Adão e Eva.

Deus me dê juízo. Com fios de luar de noites de lua cheia fiam as fiandeiras roupa para as bailadeiras fascinarem os namorados com encantos de feiticeiras;

Andam por aí caminheiros entre brumas com estranho vestuário como se fossem aves de rapina em cajados apoiados. Bradando Avé Maria ao sol, chuva ao vento, lamentos de cataclismo de séculos de esperança e medo de noites perdidas nestas ilhas. Cais de partida ou chegada como o milhafre grito onde quer que esteja sou açoriano com o cais dentro em mim grito – Sou Açoriano…

Cais de Partida e Chegada

Nasci à beira mar
Numa pequena casa singela
Com uma porta e janela
Com o mar a me embalar

Adormecia ouvindo sua toada
Sonhos lindos eu sonhei
Sem partir aqui fiquei
Neste mar, e terra abençoada

Vi as gaivotas a voar
Mítica sereia me cantava
Para lá do horizonte olhava
Chorava, vinha o mar me abraçar

Lágrimas minhas são salgadas
De saudades são meus pais
Nossas ilhas são cais
De partidas e chegadas

Sou ave de arribação
Miragem de sonho e neblina
Grito de vento em surdina
Maresia de nostalgia e solidão

Benjamim do Carmo

Povoação, quarta-feira, 5 de abril de 2017.

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