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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A ARTE E O OFÍCIO DO ALBARDEIRO NAS MEMÓRIAS DE TODOS NÓS…

“ALBARDA-SE O BURRO À VONTADE DO DONO”


Era eu uma criança ainda de tenra idade, quando ia com o meu pai de camioneta até à freguesia de Ribeira Seca, salvo erro, do Concelho de Vila Franca do Campo, falar com um senhor cuja profissão ou arte era a de albardeiro. Na altura, perguntava a meu pai o que era que aquele senhor fazia, o qual me respondeu: “albardas para burros”, cuja profissão não sabia que era a de “Albardeiro”. Penso, que, atualmente, está em desuso, porque os agricultores quando iam para as suas propriedades, conhecidas por todos nós, de “terras”, eram proprietários daquele animal “burro”, porque achavam neles um meio de transporte, ou carga, como diziam antigamente e mesmo até os próprios donos.

Eram épocas em que aqueles animais, burros ou cavalos, eram indispensáveis às variadas tarefas diárias e o serviço do albardeiro acumulava-se devido à quantidade daquela espécie de animais que os agricultores, camponeses, de outrora tinham e que era uma mais valia para os albardeiros, devido á acumulação/feitura de albardas. No entanto, os tais animais não serviam só para uso de casa, como também serviam para dar fretes para outras gentes das terras que não eram donos ou não eram portadores daqueles animais, e precisavam de trazer os seus produtos alimentícios de que a terra produzia para as suas casas. Muitas foram as vezes que fui com meu pai fazer esses tais fretes às pessoas que o encomendavam e no fim do serviço prestado, era pago uma módica quantia de escudos (sinceramente já não me recordo o valor a pagar), mas imaginemos que fosse 10 escudos por dia, enfim…que rico dia! Valeu a pena!


Então, os albardeiros, eram muito, mas muito úteis na época, porque reparavam ou arranjavam as albardas, bem como também os seus acessórios tais como: cilha, cangalhas cabeçadas, canga , entre outros que agora não me lembro, enfim…

e além disso, os Burros, até pouco mais de 40 anos, eram animais importantes na vida de meu pai, bem como de outros camponeses, porque a maior parte das famílias pobres tinham obrigatoriamente o seu burro. Julgam que era fácil ser proprietário de um burro? Não, não era fácil, porque muitas vezes ouvia meu pai dizer à minha mãe, que, quando, houvesse umas poupanças do pouco que se vendia através dos produtos agrícolas em excesso, era para a compra de um outro burro mais novo, quando o atual, já era velhinho, enfim!...grande sacrifício financeiro que se fazia. Mas no entanto, era rentável devido ao trabalho que o animal operava em função dos tais fretes que fazia, eram sempre uma mais valia na arrecadação monetária.


Então para que servia a albarda? A albarda, além de funcionar como sela para transporte de pessoas, resguarda o lombo dos burros das cargas e eram feitas à “medida” do porte do animal, ou mesmo da “bolsa” do dono, ou seja, conforme as posses do financeiras do mesmo, e adaptadas ao seu uso: para carga ou então para deslocação de pessoas. Mas antes de iniciar a albarda, é fundamental conhecer o animal a que se destina, para que o molde se adapte na perfeição ao corpo.


O molde em serapilheira é cosido com fio de sisal forte e depois cheio com palha de centeio ou outra idêntica, mas forte, que é colhida inteira, para tornar a albarda mais resistente. Posteriormente, de estofada de palha, é novamente reforçada com serapilheira, para fortalecer a peça e as extremidades são forradas em carneira ou couro, este mais caro e, como tal, menos utilizado, o que por vezes, a albarda era reforçada com um atilho mais forte e grosso, para o trabalho eram mais ao gosto do dono.


A albarda, é a proteção do animal e ela é apertada ao dorso do mesmo com uma cilha ou cinta, feita de corda entrançada, com cerca de dois metros e bem apertada ao animal para que seja montado em segurança.


Era assim a vida ou uma vida como se costuma dizer, uma vida de bastante sacrifício, e contudo, é nesta vida que só é digno de conquistas aquele que lutou para obtê-las, como o caso de meus pais e outras pessoas de igual modo, uma vida de presentes são dados de coração, mas recompensas são merecidas de corpo, alma e espírito. Eu tive e tenho orgulho em meus pais, apesar de já não estarem entre nós, porque reconheço do fundo do meu coração que toda a conquista, todo o sucesso, todo o trabalho árduo exige sacrifício, dedicação e luta, visto o bem só vem para quem busca e se mostra merecedor. Por isso, segui os passos do meus pais, não em agricultor, mas sim na riqueza de educação que me deixaram incutindo os valores primordiais de um ser humano na sociedade onde vivemos porque tenho a certeza de que só eu terei coisas boas a recolher, hoje e sempre.



João Costa Bril.


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