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sexta-feira, 11 de maio de 2018

MEMENTO À PIANISTA FURNENSE SUSANA RODRIGUES


O Casino Terra Nostra, nas Furnas, receberá um sarau musical de homenagem à pianista Susana Rodrigues, no dia 12 de maio.
Maria Susana da Silva Rodrigues faleceu nas Furnas a 24 de Abril de 2013.
Desde muito nova sentiu-se, fortemente, atraída pela ciência dos sons, influenciada naturalmente pelo ambiente familiar, a mãe foi exímia guitarrista e precursora do fenómeno das serenatas furnenses e o pai, professor de música, maestro e compositor em diversas agremiações e sociedades filarmónicas desta ilha, o conhecido compositor Benjamim Rodrigues.
Após a conclusão dos seus estudos primários, particularmente, estudou solfejo, piano e História da Música, praticou intensamente todos os clássicos, destacando sempre os que mais admirava, Franz Schubert e Franz Liszt que vezes sem conta dedilhou com entrega e entusiasmo.

Será por meados da década de 50 do século XX que se apresentará ao público pela primeira vez no palco do Casino da então e hoje extinta, Sociedade Terra Nostra do Vale das Furnas. Possuidora de uma técnica e estilo únicos, hábil no teclado a sua mão esquerda impressionava quem com ela partilhava o piano, dificilmente se enganava ou trocava os dedos à procura da nota certa. Segundo o músico-pianista jorgense, já falecido, José do Livramento Meireles de Pamplona, que com ela fez várias vezes dupla ao piano, – “a dupla perfeita,” como era conhecida, o que mais lhe impressionava em Maria Susana “era a sua experiência e facilidade que tinha em tocar partituras dos mais variados géneros musicais! Uma raridade que o mundo não pôde conhecer.”
Após o seu casamento fixou residência na ilha de Santa Maria, nas imediações do Clube Asas do Atlântico no Aeroporto Internacional daquela ilha até 1969. Susana Rodrigues, recordou sempre o tempo em que ali viveu, os anos sessenta, anos de ouro e de transformação para o mundo, foram ali vividos de forma muito intensa e exigente. A elegância e a modernidade da sociedade e dos salões marienses, designadamente, do Clube do Asas do Atlântico, neste período contrastava com os tradicionais e conservadores salões micaelenses. As sonoridades latino-americanas, as danças de salão davam lugar a outras sonoridades modernas que a ilha de Santa Maria, rapidamente, absorveu no seu quotidiano.
A existência de uma vasta comunidade internacional, ali estabelecida, bastou para o surgimento de um estilo de vida muito exigente relativamente ao existente nas restantes ilhas do arquipélago. Nesta fase adoecerá sendo-lhe diagnosticada, mais tarde, uma patologia grave, ganhará de oferta o seu segundo piano, um “Pétel de 1949,” mas o seu desalento dará inicio a uma profunda depressão que jamais recuperará.
Maria Susana Rodrigues simboliza também, a mulher açoriana no tempo do Estado Novo, interditada e castrada nos seus direitos cívicos e sociais, predestinada à vida doméstica e em família, abandonou o sonho que acalentava de prosseguir numa carreira musical.
O surgimento e a continuação da Guerra do Ultramar, (1961-1975), terá também contribuído para o agravamento da sua patologia, principalmente, após o nascimento dos filhos, por não se vislumbrar o fim das hostilidades, pelo contrário cada vez mais se ampliavam e agudizavam, temia pela incorporação dos mesmos na guerra colonial e com isso sofreu muito!
Seu pai, por três ocasiões diferentes, dedicou-lhe três composições: Maria Susana, Marcha grave nº 18, composta em 1936 aquando do seu nascimento, Maria Susana II, Marcha grave, composta em 1948 e Susana um bolero composto em 1963 inacabado.
Durante cerca de vinte anos viveu em São Pedro, Ponta Delgada onde educou os filhos e a partir de setembro de 1984, regressa ao Vale das Furnas, para assistir a família mantendo-se até ao fim da vida.
Fonte: Agenda dos Açores 

Povoação, sexta-feira, 11 de maio de 2018.

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