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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

RESPOSTA AO PRESIDENTE DA CMP “PENSEI QUE ERA O PRESIDENTE DE CÂMARA DE TODOS OS POVOACENSES”

Sr. Presidente da Câmara da Povoação Dr. Carlos Ávila,

Por norma não entro neste tipo de “discussão”, pelo menos nas redes sociais, prometi a mim mesmo que não o faria, mas depois de ter despendido seis minutos da minha vida a ouvir de forma incrédula (e aqui faltam-me adjetivos suficientes) o seu vídeo, não o consigo evitar, é mais forte do que eu.

Devia ter parado o vídeo nos primeiros segundos. Um presidente de Câmara que o primeiro argumento que apresenta é puramente economicista, referindo que os alunos são fundamentais na época baixa do turismo, preocupado com meia dúzia de empresários do centro da vila, e olhando os alunos apenas e só como consumidores, não deveria merecer mais um segundo da minha atenção tal o “peso” deste argumento. Louvo a sua preocupação com essa meia dúzia de empresários, só que pensei que era o presidente de câmara de todos os povoacenses, afinal algumas centenas de alunos, os seus pais e toda a comunidade escolar, valem menos que essa meia dúzia.

Já agora (e de forma gratuita), uma vez que está tão preocupado com os empregos e com os empresários, deixo-lhe esta nota para pensar. A deslocalização da escola pode obviamente prejudicar uns, mas seguramente irá beneficiar outros, ou existem empresários com exclusividades? O investimento de milhões no concelho para a construção da escola cria postos de trabalho diretos e muitos indiretos, e abre oportunidades de negócio. Tem assim tanta certeza da diminuição dos empregos? Analise situações similares noutros concelhos.

Se eu pensei que o Sr. havia começado mal, pior ficou. “O ambiente social envolvente favorece a sua saudável integração…uma escola fora do centro torna os alunos mais vulneráveis a comportamentos desviantes”…uau!! Acho que não deve andar muito pela vila durante o dia…eu compreendo que em função do trânsito não é tarefa fácil, mas dê um passeio a pé…arejar as ideias faz sempre bem, aproveita para ver o que realmente se passa, visita a escola, fala com os responsáveis, fala com os alunos, e depois, talvez, possa fazer um vídeo com outros fundamentos.

Não sei em que estudos se baseia para fazer estas afirmações, mas quando refere que escolas fora da malha urbana?! fazem aumentar a gravidez na adolescência e a droga, é qualquer coisa de surreal, e gostaria de saber em que edição da conceituada revista cientifica “Maria”, ou outra de publicação semelhante, o Sr. foi buscar esses dados...tenho todo o interesse em aproveitar esses estudos para as minhas aulas. Agora, uma escola que não tem espaço para os alunos estarem quando não têm aulas, que os obriga a atravessar toda a vila para irem para o pavilhão (que os senhores tão gentilmente nos alugam), que acabam por se “perder” pela vila sem qualquer tipo de controlo…aí não tem problema nenhum. Estão a gastar dinheiros nos empresários…e droga não existe…extraordinário!

Depois, aborda um tema que me toca diretamente, até porque eu fui um dos incompetentes que esteve a fazer os horários. E vou citá-lo: “Feito um estudo aos horários…77% da escola está ocupada de manhã, e de tarde praticamente vazia”…quer dizer que 23% está livre de manhã?? E nós que perdemos horas a tentar encontrar salas, por mais exíguas que fossem, que conseguissem acomodar os alunos…afinal descobriu algo que muitos não conseguiram. Não fico aborrecido, bem pelo contrário, queira por favor nos explicar como é isso possível e fará de mim um homem muito feliz...é que perdemos muitas horas de volta deste assunto. Aliás, acho que o génio que descobriu isso deveria fazer os horários connosco no próximo ano…será seguramente uma mais-valia. Fica feito o convite.

Já agora, dou-lhe nota que existem uns “safados” que debitam legislação como se não houvesse amanhã, e que nós (veja bem), até somos obrigados a seguir essas leis. Os alunos deslocam-se em autocarros a determinadas horas, existem horas de almoço, existem salas específicas para determinadas disciplinas (EV, ET, CN, FQ, EF, Informática), se bem que a diferença para as salas ditas normais é pouca (tais as excelente condições da escola), os alunos têm horas para almoçar definidas, regras para prática de Ed. Física…entre muitas, muitas outras. Esses 23% livres só podem englobar os corredores e as casas de banho…e mesmo assim, tenho sérias dúvidas.

De tarde a escola funciona até às 13:25 na generalidade dos dias? Leu bem o que estava no computador? É que em determinada altura pareceu que estava com algumas dificuldades…mas isso é fácil de comprovar, venha de lá a tal visita…é com todo o gosto que poderá observar até que horas funciona a escola…mas aviso desde já, traga um lanchinho que irá tarde para casa.

“A escola foi projetada para 650 alunos”…se isto for verdade deixa-me profundamente preocupado. Uma escola onde não existe qualquer espaço para o alunos estarem quando não estão a ter aulas (a não ser no refeitório e numa espécie de biblioteca)…ou espere, já percebi, o objetivo é que vão gastar dinheiro para a vila (pelo menos enquanto não chegam os turistas).

Já agora, porque não quer vir à escola falar connosco, vou tentar esclarecer aqueles que repetidamente (e sem saberem), usam esse argumento. É verdade que o número de alunos tem vindo a diminuir, mas essa diminuição não foi acompanhada de uma diminuição de turmas. A oferta formativa da escola é de tal ordem, muitas vezes em função do insucesso (esse sim que importava discutir), que é impingido à escola uma série de “percursos alternativos”, que fazem com que existam cada vez mais turmas, em muitos casos com pouquíssimos alunos, mas que condicionam o espaço escolar, as salas e os horários. A escola hoje está muito diferente daquela que o Sr. conheceu e que a maioria imagina. As turmas que seguem percursos escolares ditos “normais” qualquer dia não existem, mas essa preocupação não lhe assiste, bem como os elevados índices de absentismo e abandono escolar.

Se acha que é necessário “arrumar” a escola, em vez de criticar de forma leviana, em vez de debitar estes argumentos ridículos que apenas demonstram desconhecimento e quezílias de outra ordem, junte-se a nós, ou não trabalhamos todos para o mesmo? Não queremos alunos e cidadãos interventivos, conscientes e formados? Não queremos um futuro melhor para esses alunos? Não queremos condições ao nível das outras escolas? Ou apenas queremos que meia dúzia de empresários não tenham quebras nos negócios?

Que eu saiba, quando não se apresenta qualquer argumento de ordem didática, pedagógica ou até científica, não podemos estar a falar da mesma coisa…não devemos estar a falar de uma ESCOLA.

De qualquer forma estes assuntos são de tal ordem graves e relevantes que não devem estar a ser discutidos nas redes sociais…venha à escola, ou se o problema for o trânsito ou o estacionamento (que compreendo que é complicado), convide o C. Executivo ou outros responsáveis para irem à Câmara. É um assunto de grande importância e a própria forma como está a ser abordado é por si só demasiado triste para alguém que tem responsabilidades com todos, e vou repetir, TODOS os munícipes. Fica feito o repto.

Nelson Fontes

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