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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

OBRA DE MISERICÓRDIA ÀS SEXTAS-FEIRAS NO CAFÉ DO “ TI ADELINO” NA RIBEIRA QUENTE

Quando pensamos na expressão Pão-Por-Deus, vem logo de imediato à nossa memória o peditório do “Pão-Por-Deus” e é no dia 1 de novembro de todos os anos, porque é um dos dias mais lembrados ou recordados, para associar os nossos ente queridos que já partiram desse mundo, rumo ao encontro do Pai Celestial. E, é mais concretamente no dia 1 de Novembro, Dia de Todos-os-Santos, que as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos grupos para pedir o Pão-por-Deus (agora transformado em bolinhos e doçarias) de porta em porta, em que também as pessoas já se preparam, porque já sabem que nesse dia, irá ouvir-se uns toques á porta e ao abrir-se a mesma, as crianças dizem de imediato: “Pão-Por-Deus” minha senhora ou meu senhor…é dia de todos os fiéis defuntos. Outrora era o dia em que se repartia muito pão cozido pelos pobres ou os mais carenciados, atualmente ainda há quem ofereça pão, sal e leite que designamos por “esmola branca”, após a missa do 7º dia à porta da Igreja às pessoas que assistam à missa, e o que cresce repartem pela freguesia, e pelo conhecimento que tenho faz-se ainda esse culto tradicional na nossa freguesia de Ribeira Quente.

É um dia sentido, emocionante, até por vezes muito triste, é uma excelente homenagem aos mortos que nós todos fazemos, porque manifesta-se de forma muito séria, e, é mais alargada no mês de novembro, como já referi atrás, e popularmente conhecido como o mês das almas, destacando-se o dia 2, dedicado aos fiéis defuntos. É de referir também, que, por ocasião do dia de finados, os cemitérios são especialmente limpos e floridos, intensificando-se a afluência das visitas a esses espaços e às igrejas, o que revela a importância desta tradição religiosa. É tempo de reflecção, saudade e respeito. Nesse dia, em algumas localidades açorianas, é costume comer se milho cozido, sinal de muito trabalho e de muito suor efetuado pelos nossos falecidos nos campos agrícolas, enfim…sinal de afeto pra com os nossos que já não se encontram entre nós.

“O espírito de caridade aliado ao culto dos mortos revelava-se outrora nas chamadas esmolas perdidas, como ainda hoje no conhecido Pão-por-Deus. As esmolas perdidas eram uma forma de sufrágio das almas e consistia em colocar uma esmola fora de casa: umas vezes no peitoril da janela inteiramente fechada para se não saber quem a levava: outras nas banquetas dos caminhos ou então junto das alminhas que tinham para esse efeito numa pequena copeira. […] O Pão-por-Deus…é, presentemente nos Açores, uma demonstração de caridade versando o sufrágio das almas”.

Pão por alma de…pão pela intenção de…

Quem não gosta de um pão quentinho com manteiga, queijo, fiambre, e outras mais…no café da manhã? É usado como sinónimo de vida e trabalho, alimento do corpo e da alma, o pão faz parte da cultura de muitos povos e tem um significado importante em várias religiões. Resultado do cozimento duma massa feita com farinha de certos cereais, principalmente trigo, água e sal, ele pode ter sido uma das primeiras comidas preparadas pelo homem e é pelo “homem” que continua a ser usado como se costuma dizer: come por alma de…e agradece.

Ora muito bem: o que é a alma em termos bíblicos?

A alma é um dos três elementos que constituem o ser, juntamente com o corpo e o espírito. A alma permanece depois da morte física e equivale à personalidade e os sentimentos de uma pessoa.

Um dos mandamentos deixados por Jesus é amar a Deus com toda a alma, coração e entendimento. Toda a alma precisa de salvação e Jesus é o único que tem poder para salvá-las.

Contudo, é mais frequente, é mais usual e poupar dizer-se pela alma de…mas em minha opinião e conforme aprendi num curso de cristandade deve dizer pela intenção de…ou seja, pela intenção do falecido. Entretanto, o objetivo é o mesmo quer com alma, quer com intenção.

Deus recebe cada uma das intenções que nós temos e desejamos para cada missa. Como se fosse por alma de…

Voltando um pouco atrás numa frase que já mencionei:

“Quem não gosta de um pão quentinho com manteiga, queijo, fiambre, e outras mais…no café da manhã”?

Não é no café da manhã, pode ser para quem quiser, nada contra, mas é no tão falado Café do Dinis, ou “Ti Adelino” como é conhecido que todas as sextas-feiras por volta das 22 horas há sempre um grupo de pessoas familiares e amigos, aberto a todas as pessoas independentemente de idades, que ali se juntam para saborearam pão quente com manteiga por alma ou intenção do falecido e após terem saciado e há medida que vão acabando, as pessoas dirigem-se aos familiares com a seguinte frase: “fulano(a), seja tudo pela alma de teu pai, mãe ou outra pessoa qualquer mencionada que esteja já falecido e, cuja resposta da pessoa familiar/amiga do falecido com alguma emoção e com a voz um pouco trémula é a seguinte: seja…

Confesso, que desconhecia tão nobre gesto da parte dos familiares do Senhor Adelino Santos Melo, já falecido, (notícia na página 20 do jornal Correio dos Açores do dia 10 de junho), que, foi a partir daí que essa tão nobre e honrosa iniciativa tem seu início, aquando do falecimento do “Ti Adelino” em finais de dezembro de 1986 e em janeiro de 1987 dá-se essa grande obra de misericórdia, digo e não me arrependo de dizer grande obra de misericórdia.

Questionei um dos familiares, meu amigo de longa data Dinis Melo, a quem tenho muito respeito, digo isso com muita sinceridade e orgulho saudável, como tinha surgido essa excelente iniciativa. Respondeu-me que foi ideia familiar e já vai com trinta anos aproximadamente todas as sextas-feiras. Também, referiu-me que está aberto a todas as pessoas não residentes e serão bem vindas, e é uma questão de falar com ele a fim de combinar detalhes como se procede.

Indo mais um pouco á frente, sexta-feira passada, ou seja, dia 5, foi a primeira vez que convivi partilhando a dor dos familiares, nomeadamente seus filhos do Senhor Tomé Bento Vieira do Couto. Paz à sua alma ou Eterno descanso Senhor Tomé.

Ao amigo Dinis Melo e seus familiares, desejo-lhe muita sorte, muita saúde, amor e partilha, e dar continuidade aos seus filhos, uma “Rica Herança” deixada pelo “Grande Homem”, Ti Adelino, como era conhecido e como ainda é conhecido pelo estabelecimento com o mesmo nome.

Um abraço amigo Dinis Melo.

Povoação, 8 de Agosto de 2016.

Por: João Costa Brilhantina

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