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domingo, 15 de fevereiro de 2026

OPINIÃO: ESTRADA POVOAÇÃO - FURNAS - POVOAÇÃO

Fui criado na Povoação.


Nasci na Povoação.


Conheço esta estrada desde criança — e nunca, mas nunca, a vi neste estado.


A ligação Furnas–Povoação não chegou aqui por acaso. Chegou aqui por culpa direta de sucessivos governos que prometeram, estudaram, anunciaram… e nada resolveram. Anos passam, mandatos mudam, e a estrada continua a cair — literalmente.


Derrocadas repetidas, cortes totais, populações isoladas, trabalhadores prejudicados, turistas em risco. E o guião repete-se sempre: comunicados, “monitorizações”, equipas no terreno e fotos para a imprensa. Obra estrutural? Essa fica sempre para o próximo governo.


Não falamos de um caminho secundário. Falamos de uma ligação vital, usada diariamente por quem vive e trabalha. E mesmo assim foi tratada durante décadas como um problema menor, empurrado para a frente com remendos e desculpas técnicas.


Hoje chamam-lhe “a estrada mais perigosa dos Açores”. Mas sejamos honestos: ela tornou-se perigosa porque foi ignorada durante anos por quem tinha obrigação de agir. Não foi o mau tempo. Não foi a natureza. Foi a falta de decisão.


Limpar pedras não é política de infraestruturas.


Cortar a estrada de vez em quando não é gestão.


Prometer projetos sem execução não é governação.


Como filho da Povoação, digo isto sem rodeios: a paciência acabou. Quem governa hoje herda responsabilidades, mas também faz escolhas. E continuar a adiar é escolher o risco.


Isto não é um ataque partidário. 


É uma acusação factual à incompetência acumulada.


A estrada continua a cair.


E a confiança nas instituições… essa já caiu há muito tempo.


João Severiano Vales

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