
Grupo V Atlas do Priolo | Foto de: Andreia Amaral
Mais de 70 voluntários e técnicos participaram na monitorização, essencial para acompanhar a evolução da espécie e orientar as ações de conservação
A população mundial de priolo (Pyrrhula murina) mantém-se estável, com cerca de 1000 indivíduos, segundo os resultados do Atlas do Priolo 2026. Exclusiva da ilha de São Miguel, no início do século XXI esta ave estava à beira da extinção, mas duas décadas de trabalho de conservação, incluindo a recuperação da floresta Laurissilva, permitiram inverter esse cenário.
Em junho, mais de 70 voluntários e técnicos da SPEA-BirdLife percorreram toda a área de distribuição da espécie, registando as aves em cerca de 300 pontos de contagem em simultâneo. Vindos de nove países, os voluntários receberam formação especializada para garantir a qualidade dos dados recolhidos.
“A participação dos voluntários é fundamental para conseguirmos monitorizar toda a população numa única manhã. O seu empenho permite-nos recolher dados essenciais para acompanhar a evolução do priolo e orientar o nosso trabalho de conservação”, destaca Tarso Costa, técnico da SPEA-BirdLife e coordenador do V Atlas do Priolo.
Realizado de quatro em quatro anos, o Atlas permite acompanhar a população de priolo e a sua distribuição geográfica ao longo do tempo. Os resultados confirmam, por exemplo, a presença regular de priolos em Pico Verde/Pico da Vara, uma zona onde a Laurissilva foi restaurada em 2004, no âmbito do projeto LIFE Priolo coordenado pela SPEA-BirdLife. Atualmente, a SPEA-BirdLife continua a desenvolver ações de conservação nesta área, através do projeto LIFE IP Azores Natura, coordenado pelo Governo Regional, para preservar as condições favoráveis à espécie.
A monitorização da distribuição é essencial, uma vez que a perda de habitat é uma das principais ameaças ao priolo.
“Nós sabemos que a ameaça ao habitat é o principal problema para a espécie. Então se virmos que ela está perdendo área, isso será preocupante”, frisa Tarso Costa.
Embora o Atlas permita obter um retrato abrangente da população, a monitorização do priolo não se limita à semana de contagem. A SPEA utiliza também métodos complementares, como monitorizações anuais e gravadores de áudio que permitem detetar a presença das aves de forma automatizada ao longo do ano. Na edição de 2026, os voluntários do Atlas do Priolo ajudaram igualmente a instalar estes equipamentos, contribuindo para dar continuidade à recolha de dados depois de regressarem a casa.
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| Priolo | Foto de: Alexandre Dolgner |
“Salvámos o priolo da extinção, mas o trabalho não terminou,” diz Tarso Costa: “Continuar a proteger a Laurissilva e a monitorizar esta ave única é essencial para garantir o seu futuro, que é importante para as pessoas que aqui vivem.”
A conservação do priolo tem também benefícios para as comunidades locais. Nas Terras do Priolo, o trabalho desenvolvido contribuiu para dinamizar a economia, promover o turismo sustentável e valorizar a floresta nativa, mostrando que a conservação da natureza pode ser uma oportunidade para melhorar o bem-estar das pessoas.
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