FILIPE SILVA (11/05/1952 – 01/07/2020)
In Memoriam: A Partida Prematura do Chefe Filipe Silva, um Homem de Carácter que Marcou Gerações na Povoação
Filipe Manoel Dutra da Silva, natural da freguesia de Criação Velha, no concelho da Madalena do Pico, adotou a ilha de São Miguel como sua casa, fixando residência na freguesia de Povoação, na Estrada Regional, mesmo à entrada desta Vila. Foi ali que construiu a sua vida e fincou profundas raízes na comunidade local.
O "Chefe Filipe", como era carinhosamente tratado por uma grande parte da população, faleceu após lutar contra uma doença prolongada no Hospital Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada. O seu percurso na nossa ilha começou ainda na década de setenta, altura em que se deslocou para cá para se juntar à sua esposa, que viera exercer o magistério primário. Inicialmente, trabalhou como professor de educação física e desporto no antigo externato, uma profissão que exerceu até à transição para o ensino oficial. Mais tarde, abraçou a carreira bancária, iniciando as suas funções na antiga Caixa Económica da Povoação e passando, sucessivamente, pelo Banco Micaelense, pelo Banco Comercial dos Açores e, finalmente, pelo Banif, instituição de onde se retirou e reformou por motivos de saúde.
Para além do seu percurso profissional, o Chefe Filipe era conhecido como um profundo amante do mar e da natação. Homem de enorme carácter, católico convicto e detentor de uma cultura geral muito acima da média, esteve sempre no centro da atividade social da nossa terra. A sua grande paixão foi o escutismo católico, tendo sido um dos grandes pilares na fundação do ainda ativo Agrupamento 766 do CNE da Povoação. Assumiu com brio o papel de primeiro Chefe desta importante instituição concelhia, liderando-a por mais de 15 anos consecutivos.
Por: Francisco Raposo
"Um Cidadão Reto e um Chefe Inesquecível" — Uma Nota de Sentida Homenagem
O Chefe Filipe — era assim que eu sempre o tratei — foi meu vizinho na Estrada Regional da Vila da Povoação. Era um cidadão reto, de forte carácter, mas simultaneamente afável e de trato muito fácil. O seu papel como primeiro Chefe do Agrupamento de Escuteiros 766 da Vila da Povoação revelou-se de uma importância extrema para a sociedade jovem da Vila e das suas sete Lombas na altura.
Ingressei nos escuteiros logo no início do agrupamento, tal como aconteceu com muitos colegas da minha geração. Posso afirmar, com toda a firmeza, que ali desfrutei de grande parte da minha juventude e colhi ensinamentos preciosos para a minha vida futura. O Chefe Filipe era um homem que sabia impor o devido respeito. Recordo as broncas e os castigos que eu e mais alguns companheiros levávamos — pois éramos rapazes terríveis —, num tempo em que não existiam as novas tecnologias. Olhando para trás, bem que merecemos todas aquelas reprimendas que, ao fim e ao cabo, nos serviram de bem.
Porém, por detrás daquela faceta de homem duro e de autoridade, existia um excelente ser humano. Nos momentos de lazer, partilhava connosco momentos de adorável cavaqueira com todo o grupo, proporcionando-nos excelentes recordações. Sob a sua liderança, realizámos diversos acampamentos e viajámos para fora da ilha de São Miguel. Guardo como uma das memórias mais agradáveis e marcantes da minha juventude a nossa ida às ilhas do Pico e do Faial. Hoje em dia, ainda perduram na minha vida muitos dos valores e ensinamentos adquiridos no Agrupamento de Escuteiros 766 da Povoação com este grande homem ao leme.
Após o diagnóstico da sua terrível doença, sempre que nos cruzávamos e nos cumprimentávamos, era indisfarçável uma enorme alegria, que tenho a certeza que era mútua. Vi muitas vezes nos seus olhos a imensa vontade que tinha de viver e de ultrapassar a enfermidade que se tomara do seu corpo. Embora o tenha tornado fisicamente debilitado, interiormente ele mantinha uma força e uma garra admiráveis.
Filipe Silva partiu prematuramente ao encontro de Deus Pai. Deixou órfã uma figura marcante da nossa sociedade e de uma geração inteira de rapazes e raparigas povoacenses. Partiu o meu vizinho que foi professor, o trabalhador, o exemplar chefe de família e o cidadão natural do Pico que abraçou esta terra como se fosse a sua. Foi um exemplo como Chefe de Escuteiros e um bom amigo. Deixou, sem dúvida, eterna saudade. Que a sua alma descanse em paz!
Por: Pedro Damião Ponte



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