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quinta-feira, 21 de maio de 2026

EUROPA PRETENDE PROIBIR AS REDES SOCIAIS A MENORES: PERITOS ALERTAM PARA UMA “EPIDEMIA SILENCIOSA”

● A Comissão Europeia está a analisar a limitação de acesso dos menores às redes sociais frente ao aumento dos problemas emocionais ligados ao abuso do digital 

 

● Peritos alertam para uma geração “hiper conectada”, mas cada vez mais desconectada do seu meio e das suas famílias 

 

● A campanha “Loading Valores” procura promover uma educação digital consciente e recuperar espaços de comunicação entre pais e filhos

 

Enquanto milhares de crianças europeias continuam a aceder às redes sociais e smartphones a idades cada vez mais precoces, Bruxelas decidiu tomar medidas. A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considera promover este verão novas medidas para limitar o acesso de menores a plataformas digitais e exigir sistemas reais de verificação da idade. A iniciativa chega num momento em que as famílias, psicólogos e educadores alertam para um problema que já entrou nas casas de cada um: as crianças são incapazes de se separar dos telemóveis, verificam-se conflitos diários por causa do tempo de ecrã e existe uma dependência digital que começa a deixar marca no bem-estar emocional das crianças. 

 

Contudo, esta iniciativa institucional reflete uma realidade que preocupa milhares de famílias. “Quando lhe tiro o telemóvel, aborrece-se, grita e diz que lhe arruíno a vida”, frases como está, habituais já me muitas famílias, deixaram de ser casos isolados para se converterem numa preocupação crescente para pais, docentes e profissionais de saúde mental. 

 

De acordo com o relatório da SaveFamily, 90% dos menores já utilizam equipamentos com ligação à internet e mais de 81% passa mais de uma hora diária em frente aos ecrãs durante a semana. Os momentos de jogos, conversa ou convivência foram substituídos, em muitos casos, por horas de ligação constante e dependência emocional de ecrãs. 

 

A psicóloga infantojuvenil María García, colaboradora da campanha Loading Valores explica que “a fronteira entre o uso e a dependência é ultrapassada quando o dispositivo deixa de ser uma ferramenta e passa a converter-se numa necessidade emocional”. Depois de realizar consultas a dezenas de crianças em diferentes faixas etárias, a especialista assegura que se repetem os mesmos padrões: as crianças irritam-se se lhes tentam retirar o ecrã, perdem o interesse por outras atividades e procuram aprovação constante online ou em videojogos. 

 

O problema, reforça García, não está na tecnologia em si, mas na forma como se integra na vida quotidiana. “Não se trata de demonizar os ecrãs, mas de ensinar os menores a relacionarem-se com estes de forma sã e equilibrada. O risco surge quando o telemóvel ou o tablet substituem o contacto humano, o jogo ao ar livre ou a gestão de emoções”, afirma. 

 

A campanha Loading Valores, impulsionada pela SaveFamily, procura consciencializar as famílias, professores e autoridades da necessidade de educar as crianças desde pequenas para que possam ter uma imersão responsável num mundo cada vez mais tecnológico e que evitem cair nos perigos digitais que se escondem por detrás dos ecrãs dos telemóveis. 

 

A especialista insiste que os efeitos que se estão a notar em idades cada vez mais precoces: alterações do sono, irritabilidade, baixa tolerância à frustração e dificuldades de atenção, são já motivos habituais para a consulta de psicologia. De acordo com o Observatório de Hábitos Digitais da SaveFamily53,3% dos pais afirmam que o uso de dispositivos digitais teve um impacto emocional nos seus filhos. Mais de metade dos entrevistados. Além do mais, 30,9% das crianças irrita-se se lhe retiram o dipositivo e, até 23,8% reporta ansiedade ao não ter acesso a estes. 

 

Esta problemática tem reflexo e impacto nas aulas: 37.8% das famílias alertam que o uso de dispositivos móveis por parte das crianças afeta o rendimento escolar devido ao abuso das redes sociais e o acesso à internet sem restrições. 

 

O lar: o primeiro campo de batalha

 

No seio familiar o conflito costuma aparecer quando os pais tentam limitar o tempo de ecrã. O que começa como uma negociação pode acabar com gritos ou castigos. “O sentimento de impotência é enorme. Sabemos que algo não está bem, mas não encontramos maneira de colocar limites sem discussões. É uma ‘epidemia silenciosa’ dentro dos lares”, reconhecem algumas das famílias participantes da Loading Valores

 

A preocupação social não deixa de crescer. Em vários países europeus já se estudam restrições ao acesso de menores a determinadas plataformas digitais, enquanto que em Portugal se debate a possibilidade de estender a mais idades a limitação do uso de telemóveis em recintos escolares e atrasar a idade de acesso a redes sociais.

 

O problema não é apenas tecnológico, mas também emocional e educativo. “Muitos pais sentem-se impotentes. Sabem que algo não está bem, mas não encontra uma forma de colocar limites sem converter cada conversa num conflito, assinalam desde Loading Valores, que aposta por substituir a proibição isolada pelo acompanhamento familiar. A iniciativa inclui conteúdos audiovisuais, divulgação e assessoria especializada para ajudar as famílias a estabelecer hábitos digitais saudáveis e recuperar espaços de conexão real. 

 

“O telemóvel não pode converter-se numa ferramenta para silenciar o aborrecimento, a frustração ou as emoções incómodas. Ajudar as crianças a tolerar a espera, o silencio ou o jogo sem estímulos digitais é educar o seu cérebro para a vida real”, adverte a psicóloga. 

 

A dependência digital infantil reflete uma sociedade hiper conectada que também afeta os adultos, que se esforçam por procurar um equilíbrio entre o mundo online e a vida real. No canal de Youtube da SaveFamily pode consultar o trabalho realizado juntamente com María García. O objetivo é conseguir que as crianças aprendam a desconectar dos ecrãs para se reconectarem com o seu meio e se passem de verdade valores chave como a empatia, o respeito e a comunicação. 

 

Acerca de SaveFamily 


É a empresa de origem espanhola líder em smartwatches com GPS. Desde os seus escritórios centrais distribui os seus produtos em mais de 26 países. 


Criada em 2017, uma equipa multidisciplinar composta por mais de 40 profissionais responde a mais de 500 mil famílias que formam parte da sua carteira de clientes. 

 

 

 

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