É com o coração trespassado por uma dor profunda e uma incredulidade que o tempo teima em não dissipar, que recordamos a partida abrupta de António Francisco Caetano Medeiros. A 26 de abril de 2024, a Povoação e, em particular, a Lomba do Loução, perderam não apenas um cidadão, mas uma das suas referências mais autênticas e queridas.
Natural dos Remédios da Lagoa, o António fez-se povoacense por adoção e por amor à terra que o acolheu. Desde 1987, o seu nome confundia-se com o Monte Simplício, onde exercia com brio e dedicação o seu trabalho como caseiro. Foi precisamente ali, no lugar que era o seu quotidiano e o seu sustento, que um terrível e inesperado acidente nos roubou a sua presença, aos 62 anos de idade.
O "António do Monte", como carinhosamente todos o tratavam, era a personificação da bondade e da robustez — tanto física como de caráter. Um homem de trato fácil, meigo e cauteloso, cuja honestidade e respeito pelo próximo lhe garantiram a admiração de toda a comunidade. Era um "amigo dos seus amigos", sempre pronto a estender a mão a quem quer que a ele recorresse, sem hesitações.
Recordaremos sempre a sua figura imponente nas nossas procissões. O António era o suporte de eleição, o homem de confiança para levar os andores mais pesados, carregando sobre os ombros a fé de um povo com a mesma serenidade com que enfrentava a vida. Hoje, o peso que sentimos é o da sua ausência.
A notícia do seu falecimento causou um estrondo de consternação. Ainda hoje, as palavras parecem curtas e divagam de forma turbulenta entre a dor da perda e a imensa saudade que nos deixou. Resta-nos a memória de um homem justo, de um cidadão exemplar e de um amigo insubstituível.
António, que a terra que tão bem cuidaste te seja leve. Que a tua alma descanse em paz e que o teu exemplo de humildade e serviço continue a iluminar aqueles que tiveram o privilégio de te conhecer.
Até sempre, Amigo.



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