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sábado, 25 de abril de 2026

ABRIL À ESPERA DE VOLTAR AO POVO!

Estamos a celebrar os 52 anos da Revolução de Abril, em tempos muito difíceis para os Açores, para Portugal e para o Mundo, completamente desorientado, extremado e nas mãos de cabeças cada vez menos pensantes e mais interesseiras, numa guerra de egos que fere os mais elementares direitos de verdade e de justiça. E mais difíceis serão os tempos que se avizinham se prevalecer esta tendência da iconoclastia da história que largos sectores políticos e sociais estão a tentar espalhar, como forma de apagar passados, varrer memórias e exaltar apenas interesses próprios e imediatos.

 

Não é demais repetir que cinquenta e dois anos depois de Abril, pode parecer muito tempo, mas, se virmos bem, pouco passa ainda da soma dos 48 anos que vivemos em ditadura e em regime autoritário, a que só loucos podem querer voltar. Muitos dos intervenientes na revolução ainda estão por cá, e como tal, não assentou ainda, na totalidade, a poeira emocional, a tal que faz cortina a separar a actualidade daquilo que se torna história.

 

Para quem viveu o antes e estes 52 anos do “depois” não é fácil falar a ajuizar daquilo que se sente e absorve. Mas manda a verdade que se diga que quem não viveu o antes nunca poderá, em rigor, avaliar o valor dos sonhos vividos e a desilusão pelos erros cometidos.

 

Aquilo que hoje mais necessário é, neste mundo difícil e recheado de fundamentalismos e extremismos, pode traduzir-se numa só palavra: Esperança! Esperança de cravo que floresce e perfuma! Abril foi esperança que logo a seguir sofreu derivas de direita e esquerda, mas foi esperança.

 

Hoje estamos perante uma verdadeira indústria do pessimismo, alimentada pela sede de poder e populismo que absorveu o conceito de serviço e a noção de Povo. Em política não há inocências. Os projectos de servir ganharam a conjugação reflexa do servir-se. O povo, de tão cansado que está, parece que se acomodou e que não tem outro remédio que não seja aceitar tudo o que está a passar-se no campo do descrédito, da corrupção, do crime e das ligações perigosas e vai-se vingando, votando em extremismos que são apenas palavras e incitamento a ódios e divisões, sob capa de sonhos hipócritas de falsos moralismos.

 

Pode parecer um vulcão adormecido, mas não é! E é sobre esta aparente indiferença que os manipuladores e estrategas extremistas vão fazendo o seu caminho. Hoje, no mundo e entre nós, parece que mesmo o que é objectivamente mau tem defensores. E é assim que vemos enormes manifestações de prós e contras em torno da mesma realidade, simplesmente porque se criou a noção relativista das coisas e dos actos consoante os interesses políticos.

 

Abril não foi para isto. Sabemos que a revolução nasceu também na defesa de interesses, pessoais e de classes. Mas o Povo, em 1974 tomou conta da revolução e deu-lhe um cheiro de ideal que parecia puro e genuíno. Cedo se viu que havia quem quisesse apenas substituir uma ditadura por outra. Foi o PREC! E o País ia soçobrando. Mas conseguiu inverter a marcha e hoje, passados 50 anos sobre a data da aprovação da Constituição e sobre consignação da Autonomia dos Açores, podemos dizer que valeu a pena. E valeu a pena porque os mesmos que então não queriam a Autonomia, converteram-se e hoje nela vivem e, infelizmente, muitos dela vivem.

 

E valeu a pena porque Portugal se afirmou na Europa, apesar de não ter capacidade para emparceirar com o que fizeram do velho Continente, tornando-o numa pesada máquina a várias velocidades.

 

Falta muito para cumprir Abril! Mas é preciso que nos perguntemos como teria sido sem Abril.

 

O trabalho que agora se impõe é o de dar às gerações mais novas uma visão de esperança no futuro. Uma esperança realista e educacional que leve as futuras gerações a pensar que não se pode viver mais tempo, pensando que tudo será dado, sem nada ter de ser conquistado pelo trabalho e mérito.

 

Abril foi sonho vivido, consentido e partilhado. Reerguer a esperança é o novo desafio para o novo Abril que se precisa! Abril que regresse à alma do Povo! Sem donos, nem carrascos!

 

Nos Açores e em todo o Portugal!

 

Santos Narciso

 

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