No Dia Mundial dos Oceanos, a SPEA-BirdLife reforça a importância de agir antes que o lixo chegue ao mar. Através do projeto INTERREG CircularOcean, a associação tem vindo a desenvolver, desde 2025, ações de sensibilização e prevenção nos Açores, mobilizando mais de 2500 pessoas para proteger o oceano na origem.
O CircularOcean reúne 17 parceiros dos Açores, Madeira, Canárias, Cabo Verde, Gana e São Tomé e Príncipe e tem como objetivo reduzir o lixo marinho, promovendo soluções baseadas na prevenção, no conhecimento e na economia circular.
 | | Lixo na Praia |
Nos Açores, onde o oceano é identidade, sustento e casa de uma biodiversidade única — incluindo importantes populações de aves marinhas — o lixo marinho continua a ser uma ameaça presente em praias, ribeiras, portos, ruas e zonas costeiras. Perante este desafio, a SPEA-BirdLife tem apostado numa abordagem simples, mas eficaz: evitar que os resíduos cheguem ao oceano.
Desde o início das ações no arquipélago, já foram realizadas 37 atividades educativas, envolvendo 2 252 alunos, e duas ações de capacitação para professores. Em paralelo, decorreram 16 ações de limpeza e sensibilização em São Miguel, com cerca de 350 voluntários, que permitiram recolher mais de 10 000 beatas de cigarro e perto de 500 kg de resíduos, sobretudo em zonas próximas da costa.  | | Recolha de Beatas |
“Quando falamos de lixo marinho, muitas vezes pensamos apenas nos resíduos que vemos na praia. Mas uma parte importante do problema começa nas ruas, nos parques de estacionamento, nas ribeiras e nas zonas costeiras. Cada beata, cada embalagem e cada fragmento que não chega ao oceano é uma pequena vitória para a biodiversidade marinha e para todos nós”, sublinha Ana Mendonça, técnica da SPEA-Açores.
Mais do que limpar praias e sensibilizar, o projeto CircularOcean está também a produzir informação útil para apoiar a gestão local. Em parceria com os municípios de Vila Franca do Campo e Povoação, a monitorização dos resíduos recolhidos, as contagens de utilizadores em zonas balneares e os relatórios produzidos ajudam a transformar ações no terreno em conhecimento que pode apoiar decisões e campanhas de prevenção ajustadas a cada território.
 | | Praia Vinha da Areia Vila Franca do Campo |
Nos próximos meses, a campanha “Oceano sem Fumo” será uma das principais apostas nos Açores. A iniciativa pretende alertar para o impacto ambiental das beatas de cigarro — um dos resíduos mais comuns e persistentes — que, além de conterem plástico, libertam substâncias tóxicas no solo e na água. A instalação de cinzeiros CircularOcean em zonas costeiras e a recolha seletiva de beatas nos municípios parceiros estão entre as ações previstas.
O projeto está também a iniciar uma nova linha de trabalho com pescadores e empresas de animação turística marítima, setores essenciais para prevenir, identificar e remover lixo do oceano. Estes utilizadores do mar, pela sua proximidade diária com o meio marinho, podem desempenhar um papel determinante na deteção e encaminhamento de resíduos.
 | | Recolha de Beatas |
Neste Dia Mundial dos Oceanos, a SPEA relembra que proteger o oceano começa em terra. Reduzir o consumo de descartáveis, separar corretamente os resíduos, não abandonar lixo nas zonas costeiras, nunca deitar beatas para o chão e participar em ações de voluntariado são gestos simples, mas fundamentais.
O CircularOcean é um projeto de cooperação territorial cofinanciado pelo Programa INTERREG MAC 2021-2027. Nos Açores, conta com a participação do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional de Políticas Marítimas, da Direção Regional das Pescas e da Direção Regional do Ambiente e Ação Climática, reforçando a importância da cooperação entre entidades públicas, organizações ambientais, municípios e setores ligados ao mar.
 | | Voluntariado Monte Verde |
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