André Carreiro Oliveira (Faial), coletivo Atelineiras (São Miguel) e Tomás Toste (Terceira) são os artistas selecionados da 2.ª edição do Prémio nova vaga, promovido pela Anda&Fala – Associação Cultural. A decisão resultou da deliberação da Comissão de Apreciação, após avaliação de 11 candidaturas provenientes de diferentes ilhas da Região Autónoma dos Açores.
A Comissão de Apreciação foi composta por João Francisco Reis (curador convidado), João Laia (curador), Sara Antónia Matos (curadora), Urbano (artista), Jesse James (Diretor Artístico da Anda&Fala) e Rubén Monfort (Coordenador de Programas da Anda&Fala), tendo sido destacadas a qualidade e diversidade das práticas apresentadas, bem como a pluralidade de abordagens no campo expandido das artes visuais.
As candidaturas distinguidas — André Carreiro Oliveira, Atelineiras e Tomás Toste — às quais serão atribuídas bolsas de criação no valor de 5.000 € cada, revelam práticas distintas e complementares que cruzam escultura, imagem, design e ação coletiva. Partilhando uma atenção crítica às condições contemporâneas de produção artística, estes artistas desenvolvem investigações que oscilam entre a relação com a matéria e o ambiente, a experimentação coletiva e a instabilidade da imagem enquanto campo de reflexão, propondo novas formas de pensar a criação a partir do contexto açoriano, em diálogo com questões de transformação, identidade e pertença.
Promovido pela Anda&Fala, o Prémio nova vaga 2026 decorreu em formato de open call entre 5 de novembro e 18 de dezembro do ano passado, com o objetivo de apoiar novos valores da criação artística no Arquipélago dos Açores, privilegiando práticas em desenvolvimento e o seu acompanhamento crítico ao longo do tempo.
A partir do próximo mês, terá início o acompanhamento curatorial com o curador convidado João Francisco Reis, bem como o acompanhamento de produção pela equipa da Anda&Fala, com vista ao desenvolvimento de novos trabalhos de investigação/criação e à sua apresentação numa exposição coletiva, integrada na temporada setembro–novembro de 2026 da vaga – espaço de arte e conhecimento, em Ponta Delgada.
O Prémio nova vaga é uma chamada aberta, de periodicidade bienal, dirigida a pessoas e coletivos naturais e/ou residentes nos Açores, entre os 18 e os 35 anos, que ambicionam desenvolver a sua prática no campo expandido das artes visuais. A 1ª edição, em 2024, premiou Isabel Medeiros, Joana Albuquerque e Sofia Rocha, resultando na exposição "Corpos Magmáticos" e em um programa de atividades associado.
Esta iniciativa integra o plano de atividades e a estratégia de advocacia cultural da Anda&Fala – Associação Cultural, visando o investimento direto no ecossistema artístico da Região Autónoma dos Açores, o estímulo a dinâmicas emergentes, o reforço da autonomia artística e o aprofundamento das práticas contemporâneas no território.
SOBRE A ANDA&FALA – ASSOCIAÇÃO CULTURAL
A Anda&Fala é uma associação cultural sem fins lucrativos que promove novas centralidades para a criação contemporânea no campo expandido das artes visuais, facilitando a produção, a apresentação e a circulação de conhecimento, de artistas e de projetos. Operando a partir da ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores, ambiciona envolver comunidades de todo o mundo.
SOBRE A VAGA – ESPAÇO DE ARTE E CONHECIMENTO
A vaga é um espaço para pensar as artes e o conhecimento, atento às dinâmicas da ilha e de quem a habita. A sede da Associação Anda&Fala, em Ponta Delgada, dota a cidade de um espaço vocacionado para as artes contemporâneas, com uma programação regular e pluridisciplinar que abrange a apresentação e o acolhimento de projetos expositivos, performances, conversas, workshops e masterclasses, bem como residências artísticas.
PRÉMIO NOVA VAGA 2026
André Carreiro Oliveira (Faial, 2001)
É licenciado em Design Gráfico pela Escola Artística e Profissional Árvore, no Porto, e frequenta atualmente a licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O seu trabalho explora temas de transformação, caos e a beleza crua da imperfeição, recorrendo frequentemente a materiais como o metal e a pedra. Influenciada pelo brutalismo, a sua prática multidisciplinar cruza técnicas escultóricas tradicionais com imagem digital e objetos do quotidiano.
A sua obra dialoga com as forças da natureza, recriando eventos naturais de grande intensidade com materiais manufaturados, ao mesmo tempo em que reflete sobre o impacto humano no ambiente, analisando o legado da industrialização e evidenciando como os mecanismos do industrialismo de massas deixam marcas duradouras tanto no mundo natural quanto na sociedade.
Atelineiras (São Miguel, 2020)
Um coletivo transdisciplinar que procura influenciar a estrutura artística através da sua perspetiva própria de coletividade, da aproximação a públicos e da experimentação livre de técnicas artísticas que acompanham o progresso de cada integrante. A criação de eventos, performances, workshops, exposições e várias colaborações com outros artistas, coletivos e associações consolidou o objetivo do coletivo no espaço: intervir e tremer o panorama cultural açoriano. O seu trabalho mantém não só a base do desenvolvimento da individualidade, com o objetivo de alcançar uma comunalidade sustentável e progressiva, questionando cada vez mais o que está ao redor, mas também o sentimento insular que acompanha e sustenta tudo o que fazem.
Tomás Toste (Terceira, 1994)
É licenciado em Artes Plásticas e Multimédia pelo Instituto Politécnico de Santarém e tem o mestrado em Design e Publicidade pelo IADE. Encontra-se, atualmente, em simultâneo com o exercício da profissão de Diretor de Arte na área da publicidade e com a realização de um segundo mestrado em Artes Plásticas nas Caldas da Rainha. A sua produção mais recente centra-se na instabilidade da imagem enquanto espaço de representação e de dúvida.

Sem comentários:
Enviar um comentário