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quinta-feira, 13 de julho de 2017

VERÃO COM ARTE NA ILHA MONTANHA

Barcos de Helena Wadsley
Instalações e exposições patentes no verão na ilha do Pico

Residentes e visitantes à ilha montanha, este verão, têm a oportunidade de ver mais instalações e exposições de arte. Trabalhos realizados durante o Fringe, o maior festival de artes dos Açores para o mundo, vão continuar as suas exposições abertas ao público, durante a temporada de mais visitas ao Pico, com uma extensão programada pela MiratecArts.

O Projeto de Quarenta Anos: Unidades de Água, 1-5 (Orações pela chuva) foi construído com plásticos, madeiras e cordão flutuante encontrados na orla marítima da Madalena do Pico, pela artista de Nova Zelândia, Sue Pickernell Crow. A instalação destas peças continua este verão no primeiro piso da Biblioteca Auditório da Madalena, aberta ao público de segunda a sexta, das 09h às 17h30. É aqui que também se encontra a exposição de Helena Wadsley "Barcos", com a participação de crianças do Pico.

O projeto de 40 anos refere-se às peças visíveis de plástico que se acumula nas praias - foi estimado que isso continuaria (mesmo que toda a produção de plásticos não biodegradáveis cessasse hoje) por mais de 40 anos. O plástico mudou o mundo. Está entrando na cadeia alimentar: nas gulas dos pássaros, nas bocas das baleias, no sangue vital do planeta. "Eu tento parar de comprá-lo. Mas está em toda parte" diz Sue Pickernell Crow. "O Projeto viverá em exposição na Madalena e depois na MiratecArts Galeria Costa. Espero que as pessoas possam brincar com elas e até construir mais com as ideias por trás do trabalho, pois podem incentivar a fazer as mudanças necessárias." Este trabalho foi executado na residência artística Once Upon Water (Arts Unfold) que aconteceu no Pico no mês de junho.

O Projeto de Quarenta Anos: Unidades de Água, 1-5 (Orações pela chuva)
 de Sue Pickernell Crow
Para Helena Wadsley, o seu projeto incluiu logo a participação das crianças do Pico. "Os barcos são modelados na caravela portuguesa, dos anos 1400, chave para a exploração", diz a artista. "As caravelas traziam pessoas para os Açores e eu uso a árvore para simbolizar as raízes das pessoas, de onde elas vieram e como elas se estabeleceram onde quer que fosse. Os barcos são pintados com tinta índigo, feita à mão com goma arábica (aguarela). Índigo porque tem sido um tinta popular durante séculos e é feito a partir da planta de Pastel (Isatis tinctoria). Uma das razões pelas quais os Açores foram habitados era o uso da terra para cultivar a planta e fazer a tinta. Eu queria que as crianças do Pico colaborassem comigo, então o grupo pintou as velas. Nós conversámos sobre árvores genealógicas e, também, se cada uma delas fosse uma árvore, como seriam. A melhor parte para mim foi quando as crianças vieram ver a exposição no auditório."

As exposições de pintura "Saudade" de Martim Cymbron, no Restaurante Ancoradouro; "Aguarelas do Pico" de Pieter Adriaans, na Atlântico Teahouse; as esculturas de Rocio Matosas "bestas", na Rosa & Matos, também continuam patentes, nesses mesmos locais, durante os meses de verão.

Fotos: Pedro Silva

Povoação, quinta-feira, 13 de julho de 2017.

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