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sábado, 8 de outubro de 2016

EMANUEL SILVA UM JOVEM RIBEIRAQUENTENSE DOS SETE OFÍCIOS

É sem dúvida um jovem talento com realce destaque da Freguesia de Ribeira Quente…”O Homem dos Sete Ofícios”.

Emanuel de Jesus Pinheiro Silva nasceu a 16 de maio de 1991 às 15H20m na Freguesia de Ribeira Quente, Concelho de Povoação, filho de Albino Manuel de Lima Silva e de Margarida da Roias Pinheiro da Silva, cresceu no seio de uma família pobre e humilde na pacata comunidade de Ribeira Quente.

Então, quem é o jovem Emanuel?

Emanuel é um jovem que tive o prazer de conhecer em 2004, por altura das distribuições das pensões do Império do Divino Espírito Santo de Pentecostes da Ribeira Quente. Foram à minha casa entregar a pensão e lá estava o Emanuel a tocar acordeão com apenas 14 anos de idade, integrando o grupo de músicos daquela Mordomia e acompanhado pelo seu pai e outros músicos já experientes. Entretanto, e morando nas Furnas já alguns anos, como não o conhecia, perguntei ao pai quem era aquele jovem, o qual respondeu-me que era seu filho. A partir daí os contactos com o jovem possibilitou-me e ajudou-nos a construir uma amizade coesa e alicerçada até à presente data, vendo-lhe crescer e a tornar-se “o homem dos sete ofícios” e dos sete ofícios aprendeu tudo sozinho, sendo a arte de cortar o cabelo uma delas.

Mais tarde, à conversa com o jovem Emanuel pude ouvir a descrição que ele me transmitiu, com algum brilho nos olhos, explicou-me a maneira como se apaixonou pela música, nomeadamente o instrumento do acordeão. O gosto pela música começou desde tenra idade nas deslocações com o pai, nomeadamente nas festividades religiosas da freguesia, e nalguns convívios de amigos e familiares, onde o pai estava praticamente sempre presente. Mas, foi mais concretamente na ausência do pai para os USA que o Emanuel aproveitava para utilizar o instrumento musical e começava por si próprio a tocar as primeiras notas musicais. Estávamos em princípios de 2004 quando tudo começou, sendo que o Emanuel estava desejoso de fazer uma surpresa ao pai como forma de mimo quando este regressasse dos USA, para ele ver e ouvir que já sabia tocar acordeão. Assim aconteceu, o pai ficou surpreendido com a postura do seu filho e a partir daí começou a acompanhar o mesmo para qualquer parte que fosse convidado a tocar. Uma das organizações religiosas da freguesia em que o pai era o responsável pelo grupo de músicos, foi o Império de Pentecostes, que mais tarde tendo eu como Mordomo, acabei por nomear o Jovem Emanuel como responsável uma vez que o pai não tinha disponibilidade. A partir daí foi o Emanuel o artista musical a actuar naquele Império com um grupo de músicos escolhidos por ele. E foi com sentido de responsabilidade e com o seu talento apreciável que ficou a comandar. Atualmente ainda continua devido ao seu reconhecimento e responsabilidade de liderança de uma forma humilde e eficiente. Contudo, não se fez ficar por aqui, como se diz popularmente, apesar de tocar também tinha o dom de cantar ao improviso, como a desgarrada, a cantoria e outros cânticos da atualidade. Mas é no Café do “Ti Adelino” conhecido por todos do Dinis que o jovem Emanuel faz a sua estreia da cantoria convívio, no dia 19 de dezembro de 2015, acompanhado de alguns cantores já conhecidos e conceituados a nível regional como o cantor Carlos Sousa “Maurício”, entre outros.

O escritor e jornalista Luís Alves, numa das suas mensagens diz que a “motivação é resultado dos estados psicológicos, pessoais e profissionais de cada indivíduo, o equilíbrio entre eles é o caminho para o sucesso." Assim, vai o Emanuel com muita motivação e humildade a caminho do êxito com muito esforço e dedicação, e, é no terceiro Festival de Cantigas ao Desafio que se realizou no dia 27 de fevereio passado, na Freguesia de São Vicente Ferreira, a nova estreia de um possível novo cantor da Ribeira Quente (conforme programa) e uma vez mais acompanhado de outros cantadores conceituados tais como: José Vieira, João Luís Mariano, José Santos, Eduardo Pereira, António Silva, José Pimentel Pimentel, Carlos Sousa, António Dutra, fazendo-se acompanhar pelos tocadores Carlos Câmara e António Dutra, à guitarra e violão, respectivamente.


O jovem Emanuel desabafa, ainda que as cantigas ao desafio tivessem desde sempre presentes na sua vida desde o berço, sentindo prazer em cantar, enumera alguns cantadores chave tais como José Luís Mariano, José Pimentel e seu pai Albino Silva. Mas realça, que, apesar de já ter pisado alguns palcos, o que mais lhe deu prazer e de enorme dimensão e satisfação foi a actuação nas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres no Campo de São Francisco, ao lado de grandes cantores, e em especial orgulhoso de atuar ao lado do seu pai Albino Silva, outro grande mestre da cantoria.

Sentindo a necessidade de ir mais além e aproveitando-se do seu instrumento corporal: a voz, o jovem Emanuel mais o seu amigo David Rita, pertencentes ao Grupo Musical “Geração 90”, nome dado pelo jovem David Rita e composto por 6 elementos, são convidados por alguns elementos do Rancho de Romeiros da Ribeira Quente, para animar um pouco aquele Movimento Religioso, visto ambos terem aptidões para a animação, em especial para o canto. Contudo, com a formação já bem estruturada do conjunto “geração 90”, o David acaba por sair do referido Grupo Musical. Entende assim o Emanuel dar continuidade ao nome “Geração 90” com os restantes elementos,todos nascidos na década de 90, cujo projecto nasceu em 2012, e já sonhava com o mesmo desde os primórdios tempos da escola.

Após o conjunto já estar formado, de imediato começa as escolhas de letras e canções cujos ensaios duram cerca de dois anos, até que se dá a sua inauguração, ou seja, a sua estreia, numa das festas religiosas da freguesia, nomeadamente no Império da Santíssima Trindade. A partir daí nunca mais parou a nível regional e já tem uma actuação no estrangeiro mais concretamente nos USA, a convite da Organização festa do Chicharro à moda da Ribeira Quente em New Bedford, no dia 8 abril 2017, todos naturais da Ribeira Quente. É de salientar ainda, que o jovem integrou o Grupo de Serenatas e Cantares do Vale das Furnas a convite dos órgãos directivos do mesmo, o qual aceitou com pompa e circunstância, bem como organista no Grupo Coral da Paróquia de São Paulo da sua Freguesia.

No entanto, enquanto adolescente segue a vida de pescador à semelhança do que se passa com a maior parte daquelas gentes naquela freguesia piscatória.

Sem vaidade nenhuma e muito honesto o jovem apesar de estar na pesca, e vendo que não auferia rendimentos suficientes, procura refúgio no exército e opta por alistar-se naquele ramo das Forças Armadas, porque a carreira militar é uma opção cada vez mais considerada pelos jovens portugueses e a maioria deles pensa mais seriamente no seu futuro.

Decidiu então o Emanuel seguir para a recruta, a 29 de junho de 2009, passando à disponibilidade a 12 de janeiro de 20015, um período de 5 anos aproximadamente, enquanto militar. A opção de entrar na vida militar surgiu porque, para além do gosto, sempre lhe disseram que “havia mais facilidades em estudar”. “Podendo estar na tropa a ganhar dinheiro e a estudar ao mesmo tempo, porque não?”, desabafa o jovem em conversa comigo.

Com o ensino secundário inacabado, apenas o 7º ano, Emanuel prossegue os estudos e ingressa na Escola Secundária Domingo Rebelo, onde conclui no ano de 2010 o 8º e 9º ano, no ciclo nocturno. Em termos monetários, o jovem garante que “a tropa compensa, mas apenas para quem souber guardar o dinheiro”. Emanuel diz ainda que tem “independência total”. “Ganha-se um pouco acima do ordenado mínimo e as despesas são quase nenhumas. Chega e sobra”, afirma. Enquanto militar, tirou a especialidade de artilharia antiaérea na categoria de operador de canhão.

Não satisfeito ainda e aproveitando a sua vida enquanto militar e uma vez que estava em Ponta Delgada, foi convidado por um militar graduado a matricular-se no curso de cozinha e pastelaria na Escola de Formação Turística e Hoteleira de Ponta Delgada, o qual aceitou o convite de muito bom agrado, cujas despesas foram todas suportadas por aquela unidade militar e, diga-se em abono da verdade que foi uma oferta merecida por parte daquela Unidade Militar. Após dois anos de curso, concluiu o mesmo com aproveitamento, nível IV e equivalência do 12º ano de escolaridade.

Quando questionado sobre se vê a sua vida no exército ou fora dele, o jovem é peremptório. “Neste momento vejo o meu futuro aqui. Ainda não descobri nada em que seja mesmo bom a fazer. E gosto mesmo de andar na tropa”.

Mas nem tudo foi fácil, nem tudo foi um mar de rosas como se costuma dizer na gíria popular. A opção de continuar os estudos também pesa na decisão e a principal razão apontada para tal escolha foi o desejo de independência. “Queria sobretudo ganhar o meu próprio dinheiro e deixar de depender dos meus pais”, explica o jovem.

Após ter dado por finalizado o serviço militar, arranjou colocação no Terra Nostra Garden Hotel na Freguesia de Furnas como cozinheiro, mas esteve lá apenas 18 meses, porque trabalhava-se muito e era mal remunerado, cujo ordenado não pagava o trabalho que executava, conclui.

Mais tarde, apercebeu-se que não era isto que queria para a sua vida e optou então por cortar cabelos, ou seja, investir numa barbearia, pois já o fazia em part-time desde o ano de 2007.

Descendente de uma família com arte de cortar cabelo, desde dos tempos dos seus bisavós, ele é a terceira geração de cabeleireiros da sua família, no entanto, entende por enquanto seguir o ramo e tem já uma clientela por motivo de ter umas mãos bastante habilidosas para criar cortes de cabelo e penteados á maneira. Cortar cabelos também é uma arte.

Atualmente o jovem Emanuel é conhecido pela vasta clientela concelhia de Povoação, tem os seus salões abertos em Ribeira Quente e Furnas, bem como na Lomba da Maia e Ponta Delgada, e, diz, que o cabeleireiro não tem uma técnica específica para corte de cabelos, é um processo criativo, porque cortar cabelos é como esculpir uma obra de arte, compara. Contudo, ele acredita que a profissão de cabeleireiro está a ser finalmente reconhecida, e entende também, que é vista como profissão, bem como um prestador de serviços.

Além disso tudo, o Emanuel é ainda um bom animador sociocultural, enquanto o cliente está a cortar o cabelo ele vai cantando á desgarrada entre outros cânticos. Se por acaso, o cliente ao entrar num dos salões que ele tem um pouco indisposto, acaba por sair bem-disposto. Vejamos um dos comentários no facebook, do Senhor João Vieira: “Este amigo Emanuel é mesmo o máximo, o cliente chega aborrecido à barbearia e sai de lá feliz ao ouvir esta voz belíssima, o bonito improviso e ainda por cima sem pagar nada por isso, uma voz que faz lembrar o Jorge Ferreira”, já Susy Macedo, diz o seguinte: “Não é para todos um cabeleireiro a cortar cabelo com uma grande desgarrada”.

Um outro pequeno acontecimento:

Enquanto criança era muito brincalhão e um dia o Senhor Tomé Vieira Bento do Couto, falecido recentemente, (4 de julho), gostava muito de crianças e entre elas figurava o Emanuel. Contou-nos em tempos que após o almoço e quando não ia para o mar, tinha o hábito de se sentar praticamente perto do porto de pescas, num banco lá existente. O Emanuel já sabia mais ou menos a hora em que o Senhor Tomé vinha descansar um pouco, escondia-se por ali perto de maneira não ser visto, e quando o homenzinho ia sentar-se, de imediato punha-se por detrás do banco e colocava ovos crus debaixo dele, ao sentar-se o Senhor Tomé ficava todo molhado da esmagação dos ovos, e, mesmo assim, apenas dizia: éh corisco, corisco, rapazim.

Um outro testemunho de uma pessoa amiga:

Caros amigos,

Venho por este meio dirigir-me a todos vós a fim de dar um pequeno testemunho em miniatura ao nosso amigo Emanuel de Jesus Pinheiro Silva, nascido na linda e pacata freguesia da Ribeira Quente, Concelho da Vila da Povoação.

Tal Privilégio teve não somente a linda e humilde freguesia da Ribeira quente, tal como todo o seu Concelho Povoacence que, no dia 16 de maio de 1991, pelas 15 horas e vinte minutos, viu nascer o nosso amigo Emanuel Silva. Tendo por orgulho, ser filho do Sr. Albino Silva e da Sr.ª Margarida Pinheiro Silva.

Conheci o Emanuel Silva e seu Pai Albino Silva no mesmo dia, data esta que jamais me esquecerei, dia 2 de Maio de 2016 nas Cantorias em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Ponta Delgada.

Para minha surpresa vi e escutei, o Emanuel a cantar ao desafio tendo por adversário entre aspas o seu próprio Pai Albino Silva. Uma cantoria entre Pai e Filho que eu como Cantador adorei.

A partir daí entramos em diálogo uns com os outros e fiquei a partir deste dia com o Emanuel no meu grupo de amigos do Coração.

Amigo muito simpático, muito bem-educado, compreensivo, humorista, um jovem que sabe e muito fazer o seu lugar, depois do jantar do Convívio entre cantadores veio as despedidas e cada um foi às suas vidas, mas a amizade permaneceu.

Tendo por conta a continuação da nossa amizade...vim a saber que o Emanuel Silva, além de ser um excelente Cabeleireiro por Profissão e de ser um excelente cantador como eu próprio sou testemunho, também toca acordeão e tem muitos fãs por todo o seu Concelho.

Para além do seu salão de cabeleireiro, na sua honrada e ditosa freguesia da Ribeira Quente veio abrir um segundo salão nas Furnas, para melhor servir o seu Povo.

Ainda antes de terminar, queria-lhe dar os parabéns por ser um excelente cozinheiro, pois isso também é mais um talento do nosso Emanuel Silva.

Queria aqui agradecer ao Emanuel o convite que me fez, para visitar o seu salão quem sabe até cortar o cabelo, tomarmos juntos um cafézinho, e ou cantarmos ainda uma desgarrada. Fica isso a meu cuidado para uma surpresa breve.

Amigo, desejo-te o melhor do mundo, que tenhas muita sorte na vida porque mereces. Esta foi uma surpresa para ti deste teu amigo João Silvério Sousa. Bem Aja Emanuel Silva, e aquele Abraço tamanho do Mundo.

João Silvério Sousa.

Coordenação de João Costa Brilhantina

Povoação, 8 de Outubro de 2016.

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