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quarta-feira, 6 de julho de 2016

ADELINO DOS SANTOS MELO UM NOTÁVEL RIBEIRAQUENTENSE

Adelino dos Santos Melo, nasceu às 13 horas do dia 13 de novembro de 1932 e foi registado na conservatória do Registo Civil da Povoação a 19 de novembro do mesmo ano.  
faleceu a 27 de Dezembro de 1986 e encontra-se sepultado no cemitério da Paróquia de São Paulo, quartel n.º 6. 

Cresceu no seio de uma família pobre, simples e muita honesta naquela pitoresca e piscatória Freguesia de Ribeira Quente. Era filho de Manuel dos Santos e de Maria dos Anjos Melo e neto de Plácido dos Santos e Amélia de Jesus e de Manuel de Bento e Francisca Bento, avós maternos e paternos, respectivamente. 

Casou com a senhora Maria do Carmo Sousa Vila em 30 de maio de 1959, na Igreja de São Paulo da Ribeira Quente, e desse matrimónio resultou 6 filhos, 5 rapazes e uma rapariga. 

Foi uma criança brincalhona e amiga de todas as outras crianças com quem convivia sempre muito “educadinho” afável nas suas brincadeiras. Aos sete anos de idade, apesar de não ser obrigatório a instrução primária naquela altura, quis e tentou junto dos seus pais todo o esforço possível e a intenção e o gosto pela aprendizagem, o qual foi matriculado e tendo concluído a sua instrução primária com distinção, cujo professor era natural de Vila Franca do Campo, Senhor António Groseira, cuja escola situava-se no princípio do caminho de acesso para o Agrião, e mais tarde destruída pelas intempéries, era o único edifício escolar que existia. No entanto, e devido às amizades do referido professor na localidade, acabou por ser convidado para ser padrinho de baptismo de José do Rego e António do Rego, naturais da Ribeira Quente. Uma vez que a actividade predominante era a pesca, sentiu-se motivado para exercer a profissão de vendilhão de peixe. Iniciou a sua vida como vendilhão de peixe a pé com um cesto às costas, facto que não o impedia de dividir com os mais pobres o peixe que vendia, vendo a necessidade ou a carência das pessoas, o que lhe levava a oferecer. Começa a sua actividade na freguesia limítrofe, ou seja, Freguesia de Furnas. Naquela época grande parte das famílias viviam da agricultura e não havia grandes posses económicas, o que, muitas vezes o peixe era trocado por géneros alimentícios e produtos agrícolas e através dessa convivência criou-se grandes laços de amizade. Neste momento, existem pessoas que conheceram esse grande Homem, conhecido por todos naquela Freguesia pelo “Adelino” da Ribeira Quente, aquele jovem humilde, que, muitas vezes era convidado a comer um queijinho de cabra e acompanhado de uma tijela de chá,  que lhe saboreava muito bem, dizia ele à senhora que lhe convidada…ainda actualmente é recordado. Com a evolução ou a expansão da sua profissão, passou de imediato a alargar seus horizontes e de imediato comprou o primeiro veículo: um Peugeot.

Após a compra do respectivo veículo a sua venda começou a expandir-se um pouco mais além, tendo a necessidade de fundar uma “Companhia” termo que se usava na época, actualmente designa-se por empresa e convidou para formar a mesma os senhores João Berló e um senhor de nome Carvalho, como esses senhores emigraram, viu ou sentiu a necessidade de convidar Mariano Miúdo, António Tibúrcio e por último José Cardoso e um outro senhor que servia de informador ou intermediário noutros portos da Ilha, o qual seguia de mota nomeadamente para Vila Franca do Campo ou Lagoa, para chegar ao conhecimento do senhor Adelino, o valor da venda do peixe naquelas lotas e após saber o preço de venda, entra de imediato em contacto com o Senhor Adelino, através dos Centros de Saúde porque lá é que existiam as comunicações, senhor esse de seu nome João do Rego. É de referir e com algum orgulho que Adelino Melo, foi um dos mais populares e notáveis comerciantes da sua geração, há até quem afirme que foi o nº 1 (expressão dada por um popular que o conheceu muito e bem) na Ilha de São Miguel. Para além dessa profissão, foi proprietário de uma mercearia e café, bem como uma outra dependência anexa com materiais de construção. Contudo, foi um homem sempre atento às dificuldade dos pescadores e dos mais carenciados da Freguesia. É de salientar e bem, que a sua mercearia era um porto de abrigo para os pescadores, que quando impedidos pelo mar de ganhar o seu ganha-pão tinham a disponibilidade de adquirir os bens essenciais na compra a crédito no referido estabelecimento. Devido ao seu bom nome e honestidade até chegava ao ponto de dizer aos mestres dos barcos para não irem ao mar, porque o peixe não tinha saída, ou seja, ia ser muito barato na lota, cuja receita nem dava para o combustível. De todos os seus colegas de trabalho, pode-se também referir que o “tio Adelino” vendia o peixe para toda a Costa Norte, nomeadamente para a Freguesia de Rabo de Peixe, Capelas e zonas limítrofes, António Tibúrcio para o Concelho de Ribeira Grande e José Cardoso para a zona do Nordeste. Como a sua actividade cresceu, teve a necessidade de empregar muitos jovens da freguesia, nunca disse que não aos pais que falavam com ele para colocar seus filhos na dita companhia, e era assim o sustento de muitas família, e graças a esse grande homem que muitas famílias na Ribeira Quente, não passaram muitas necessidades porque era um homem atento às carência empobrecidas da Freguesia. É de salientar também que, todas as pessoas que trabalhavam com ele, não tiveram nenhuma razão de queixa, todos gostavam dele, e eis aqui dois testemunhos de dois trabalhadores:

Testemunho de: Mário António Martins do Rego, mais conhecido popularmente por Mário Marinho.

“Amigo João Costa, para mim o Tio Adelino, foi um homem com uma personalidade muito forte e de carácter difícil de se encontrar, na minha maneira de o ver e conhecê-lo pessoalmente, ele ajudou muito gente, sem nunca ter manifestado tal grandeza e isso para mim é o valor de um grande HOMEM, quanto à minha pessoa, sempre me respeitou e sempre me deu o apoio, carinho, enfim, a amizade em todos os sentidos. É isso aí, amigo João Costa, muito obrigado em lembrares-te de mim para poder fazer parte desta homenagem, um grande abraço para ti e toda a família, e que tenham um ano abençoado”.

Testemunho de Carlos “mais conhecido por Rosa":

Começa por dizer que Adelino Melo foi um grande homem, ajudava todos. “Como empregado dele posso dizer que foi sempre um grande amigo, de confiança, honesto e de muito respeito. Foi um grande patrão, nunca foi homem de dar broncas em ninguém, sempre foi um fiel amigo, independentemente das idades” em relação ao meu sogro João Peixoto “Balaia” tiveram uma relação muito saudável, uma relação de extrema amizade, sempre das melhores, as contas do barco, meu sogro fazia era na loja dele”.

Testemunho do Padre Silvino Amaral:

“Cada um é resultado da família e do meio ambiente onde vive. A freguesia de Ribeira Quente presentemente está reduzida a um estreito linguado de terra estendido à beira mar com extensão de um fasto quilometro constituindo dois aglomerados de casas concentradas em dois núcleos de nome: Ribeira e Fogo. As montanhas nascem ab-ruptas sobre a freguesia, não permitindo que ela se estenda para o interior.

Aqui, já viveram 2.400 pessoas em condições sociológicas bastante precárias. Agora são só 700 habitantes num local muito melhorado e mais confortável.

É fácil perceber que, devido à exiguidade do lugar, todos se conhecem, todos se cruzam habitualmente várias vezes por dia, pois que a vida da rua é tradição necessária, para os normais expedientes que alimentam uma boa relação social muito saudável.

Devido ao isolamento do local, duas forças o dominam: o mar e o religioso. O mar, do qual economicamente se vive; o religioso, pois que são todos católicos razoavelmente praticantes e marcados por vivencias de religiosidade popular muito acentuadas.

Porquê esta narrativa?

Para clarificar que o Senhor Adelino dos Santos Melo, foi um líder local bom, que nasceu, viveu e morreu nesta freguesia.

Foi filho de pais tanto humildes como respeitadores na comunidade.

Casou com uma esposa também vinda de boas famílias.

Era fácil acontecer na Ribeira Quente existirem famílias semelhantes à do senhor Adelino. Daí ele primar por ser pessoa de bem, marcada por valores cristãos onde prevalecia a honestidade e respeito pela palavra dada.

Ao trabalho estava muito associado o religioso. Daí, além de ser um bom profissional, também assumiu por muitos anos a tarefe de ser mordomo do “Império do Espírito Santo do lado da Ribeira”, como se dizia das festividades de Pentecostes.

O senhor Adelino, foi um negociante qualificado e de boa reputação e em todas as freguesias para onde derivavam os seus negócios de vendilhão de peixe. Foi sócio duma companhia de vendilhões escolhidos no seu perfil e possuidores de viaturas que empregavam muito pessoal na rede de distribuição. Sob a alçada do Senhor Adelino passaram muitas pessoas que sigilosamente limparam a sua vida, graças à sua muita assistência caridosa.

O êxito dos seus negócios, não lhe subiu à cabeça, como nós popularmente dizemos, manteve-se sempre humilde, amigo de todos, principalmente da família, para quem não faltou o pão e a boa educação.

Comprou uma boa casa ao Senhor Abel Inácio, negociante local que emigrou para os Estados Unidos da América. Essa casa tem uma secção destinada a negócio de bar, que os filhos ainda hoje conservam, com o nome do pai “Casa Adelino”.

Quando morre o Senhor Adelino, toda a gente sentiu a morte dum líder, possivelmente dum ricaço que ia deixar bem os seus herdeiros. Veio a saber-se que não era possuidor de grandes contas bancárias que deixassem em patamar de segurança a esposa e filhos.

A grande herança foi o prestígio e a educação no bem. Ao pensar neste homem respeitável, recordo tantas famílias do mesmo calibre (sei que me repito e ainda bem) que eram o cerne duma comunidade saudável, o que está a tornar-se mais raro. Ainda há relíquias desse passado e na rifa do tempo, vamos encontrando alguns bilhetes premiados graças a Deus”.

João Costa Brilhantina

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