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domingo, 17 de abril de 2016

JOVEM VALOR POVOACENSE, ANDREIA AMARAL, EM ENTREVISTA NA IMPRENSA REGIONAL (JORNAL CORREIO DOS AÇORES)

Andreia Amaral - Música, Divino Espirito Santo e jornalismo
É sempre um orgulho para nós povoacenses vermos os nossos jovens valores valorizados pela imprensa escrita regional e, neste sentido, o Jornal Correio dos Açores e o seu colaborador António Pedro Costa estão de parabéns pelo seu trabalho abrangente para com os jovens valores Açorianos.  

Conversando com... Andreia Amaral



A guitarrista que é mordoma no Faial da Terra e gosta de jornalismo

O ‘Correio dos Açores’ esteve à conversa com a jovem povoacense Andreia Festa Amaral, natural do Faial da Terra, onde orgulhosamente nasceu e cresceu sendo, desde sempre, muito activa na sua comunidade.

Esta faialense de gema possui a licenciatura em Jornalismo, pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, para além de ter frequentado a Academia de Música da Povoação e a Escola Global Point. Ingressou na Filarmónica Sociedade Musical Sagrado Coração de Jesus, como clarinetista, sendo um elemento sempre muito interventivo no grupo. É a maestrina do Festival Caravela d’Ouro e tem uma paixão pela preservação das tradições culturais da sua terra. Conjuntamente com outros jovens da comunidade, é responsável pelas festividades em honra da Santíssima Trindade do Faial da Terra.

Correio dos Açores - Quando descobre que a música era uma paixão?

Andreia Amaral - Eu cresci com música em casa e com o meu pai envolvido na Filarmónica local, portanto o gosto existia, mas foi só depois de entrar para a Filarmónica aos 11 anos que percebi realmente que gostava muito de tocar, de ouvir e de tudo o que envolvesse música.

Porquê o clarinete?

Porque quando entrei para a filarmónica foi o que me atribuíram, por ser o instrumento em que necessitavam de músicos. A verdade é que apesar de não ter sido eu a escolher, já era um instrumento que me atraia, uma vez mais por influência familiar, já que tinha um primo que tocava clarinete. Apesar disso, a partir do primeiro ano, quando já conseguia tocar umas músicas, tornou-se uma paixão. Até ir para a universidade dedicava bastantes horas a tocar clarinete com o objetivo de me tornar melhor músico.

Qual o instrumento musical de eleição: clarinete ou guitarra?

Infelizmente, em 2010, tive de parar de tocar clarinete, e portanto desde essa altura que não o toco, apesar de sentir bastantes saudades. Actualmente o meu instrumento de eleição é a guitarra, por ser o instrumento a que me dedico mais e por ser mais versátil. Ou seja, toco guitarra na igreja, toco na minha banda, toco numa festa ou churrasco com os amigos, podemos levá-la para todo o lado!

A Filarmónica Sociedade Musical Sagrado Coração de Jesus tem tido uma grande notoriedade a nível Açores, em termos de formação musical? Qual a razão?

Acima de tudo jovens maestros, que são muito bons no que fazem e jovens músicos com gosto pela música e pela instituição que representam. A verdade é que estes dois fatores são indispensáveis para se conseguir levar o nome da Sociedade Musical Sagrado Coração de Jesus mais longe. Ideias inovadoras e arrojadas e muito, muito trabalho por parte de todos os envolvidos foram a chave para conseguir manter abertas as portas de uma instituição centenária, numa freguesia bastante pequena, e ultrapassar a fronteira da freguesia e do concelho onde se insere.

Qual será o futuro das nossas filarmónicas na preservação da cultura dos Açores?

Tenho assistido com algum receio o crescente desinteresse por parte dos mais jovens em manter estas instituições abertas. A falta de vontade dos jovens de se comprometerem com alguma coisa, é infelizmente uma realidade cada vez maior. Dito isto, na minha opinião as filarmónicas são um expoente da cultura açoriana, uma forma de preservar e divulgar cada pedaço destas ilhas. O futuro mostra-se incerto, mas se conseguirmos manter estas instituições abertas, será uma forma de não só preservar a cultura musical açoriana, mas acima de tudo dar a conhecê-la em todas as ilhas dos Açores e também lá fora.

É maestrina do Coro Infanto-Juvenil da Gala Caravela D’Ouro. Qual o segredo para este festival continuar a mobilizar o concelho da Povoação?

Este ano a Caravela D’Ouro celebra 25 anos, é o mais antigo festival infantil dos Açores ainda em actividade. Isto demonstra bem o peso que este evento tem não só no concelho da Povoação, mas também nos Açores. Passados todos estes anos, há algo que nunca muda: a música! Este festival continua a mobilizar o concelho porque é um evento importante na vida dos povoacenses, especialmente os mais novos, e porque abre as portas para a Gala Internacional dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz, que tem uma representação de todas as regiões do país e é internacional. É uma oportunidade de mostrar os jovens talentos que existem nestas ilhas, no que diz respeito ao canto.

Qual foi o contributo para si da passagem pela Tuna Académica da Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa?

Um contributo maior do que esperava. A tuna para além de me ter permitido ficar ligada à música mesmo longe de casa, deu-me uma segunda família e grandes amigos. Mas acima de tudo foi também uma escola, ajudou a moldar a minha personalidade, tornou-me mais forte e capaz de lidar com qualquer adversidade, tanto na minha vida pessoal, como profissional. Guardo com muito carinho as recordações dos anos que andei na Escstunis.

Como foi parar às Bandas Addictive e PreludiuM?

Quando decidi voltar para os Açores, achava que dificilmente iria estar envolvida em algum projeto que me permitisse tocar guitarra. Estava enganada! Foi uma amiga minha, que estava ligada à música que falou comigo para formarmos os Addictive. Quando este grupo terminou, surgiu a oportunidade de criar os PreludiuM com elementos de duas bandas povoacenses que tinham também terminado e por isso lá comecei mais um projeto musical.

Atualmente faz parte do Quarteto Acoustic Souls. Qual tem sido a actividade musical?

Os Acoustic Souls são um projeto muito recente, têm menos de um ano. Surgimos em Agosto para nos apresentarmos na Festa em Honra de Nossa Senhora Mãe de Deus na Povoação, depois disso a reação do público foi tão positiva que decidimos manter-nos juntos. Em dezembro abrimos o concerto dos D.A.M.A no Coliseu Micaelense, o que para nós foi um marco importantíssimo já que aquele foi só o nosso segundo concerto, e estivemos recentemente no Programa Atlântida da RTP Açores. Estamos tratar de outros concertos para os próximos meses, mas para já nada concreto. Mas vou adiantar em primeira mão que em julho vamos abrir o concerto da Mariza na Festa do Chicharro, Ribeira Quente. Portanto temos pouco tempo de existência, mas vamos conseguindo destacar-nos em eventos de relevo no panorama musical açoriano.

Qual o maior sonho na área da música?

Para mim tocar nunca foi uma questão de realizar um sonho, tem sido mais um colmatar de uma de estar ligada à música para ser feliz! Se com os Acoustic Souls conseguisse gravar um CD ou chegar aos grandes palcos nacionais, bem isso já era sonhar muito alto, mas seria fantástico.

Fale-nos um pouco acerca da actividade desenvolvida, como organista e maestrina no coro do Faial da Terra.

Desde muito cedo e por influência da minha mãe fiz parte do Coro da Paróquia de Nossa Senhora da Graça, assim em 2005 por necessidade do Coro tornei-me organista do mesmo. Convenhamos que o Piano não é a minha praia, mas pronto, como até tinha umas bases consegui dar conta do recado. Em 2009 o maestro teve de deixar o coro por razões pessoais e pediu-me que o substituísse. Inicialmente fiquei bastante reticente com esta proposta porque era uma grande responsabilidade, mas acabei por aceitar e desde esse dia que sou a maestrina do Coro de Nossa Senhora da Graça do Faial da Terra. Este é um coro pequeno, atualmente com cerca de 18 elementos, com idades compreendidas entre os 8 e os 65 anos, e que na minha opinião é um coro com grande potencial. Fazemos parte do Coro da Ouvidoria da Povoação, que conta com mais de 100 elementos, o que demonstra a vontade que estas pessoas têm em participar e por levar o nome do Faial da Terra e da nossa paróquia mais longe.

Porque enveredou pelo jornalismo?

É engraçado que, desde que me lembro, sempre quis ser jornalista. Acho que esta minha escolha veio da minha vontade de estar no centro de toda a informação relevante, poder saber, em primeira mão, o que de mais relevante se passa no nosso país e também a nível internacional e ter a oportunidade de ser a primeira a dar essa notícia. Foi sem dúvida um misto de querer estar sempre bem informada e poder informar.

O que está a planear para o futuro?

Até agora foram muitos os ensaios do Coro de Nossa Senhora da Graça para a Páscoa, com ensaios do Coro Infanto-Juvenil da Caravela D’Ouro, para além dos ensaios da Filarmónica e claro os ensaios dos Acoustic Souls, portanto ando extremamente ocupada.

A partir deste mês de abril, começam os preparativos logísticos para o Império da Santíssima Trindade do Faial da Terra, do qual sou mordoma, e que se vai realizar nos dias 20, 21 e 22 de maio. Também terei os ensaios com os Acoustic Souls para os concertos de verão, e claro as minhas actividades paralelas com o Coro da minha paróquia e com a Filarmónica. Portanto os meus planos são continuar a trabalhar afincadamente musicalmente. Com muito trabalho, vem sempre o proveito!

* Texto escrito com o novo Acordo Ortográfico

 António Pedro Costa

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