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sábado, 19 de março de 2016

MARÇO MÊS DO PAI

A Igreja Católica Apostólica Romana consagra de um modo especial o mês de Março a São José o modelo de todos os Pais …

São José o Homem Justo … Pertencia São José à tribo de Judá e era da linhagem real de David, chama a Sagrada Escritura a São José o Varão Justo e a Deus tudo é possível, os desígnios de Deus são insondáveis …

Lenda:

Conta-se que Nossa Senhora para que os desígnios de Deus se realizassem “O Nascimento de Jesus” teria de existir um jovem puro como a neve para ser esposo de Maria.

O sinal visível da pureza do jovem teria de se manifestar no bordão que usavam, que teria de florir, e assim aconteceu ao bordão de São José.

Anexo uma fracção de um cântico consagrado: “… do varão nasceu a vara … da vara nasceu a flor … da flor nasceu Maria … de Maria o Redentor …”

Quem dera que todos os pais fossem como José, o meu pai não foi como José, mas para nós foi o mais maravilhoso dos pais, tinha sempre o coração cheio de amor, sua vida foi uma doação à sua esposa, seus filhos e a todas as pessoas sem olhar a credos ou cores.

Ligeiro apontamento de sua vida: nasceu às duas horas da madrugada do dia nove de Maio de 1898 na fazenda de Potosi, distrito e município de Cravinhos, Comarca de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo.

Filho de Manuel Joaquim do Carmo e de Maria Emília do Carmo, neto paterno de António Joaquim do Carmo e Maria Jacinta de Melo, neto materno de Francisco Jacinto de Medeiros e de Maria Jacinta de Medeiros.

Foi batizado no dia 24 de Julho de 1898 pelo vigário Giácomo de Petris de origem italiana.

Aos dois anos, e na companhia de seus pais e irmãos, emigrou para os Estados Unidos, residindo na cidade de Boston. Naquela cidade realizou parte dos seus sonhos. Ali se criou, ali estudou e trabalhou numa drogaria, praticou desporto, em especial o boxe, no seu tempo liceal.

Seus pais eram naturais da Lomba do Alcaide Povoação emigrados há longos anos, sentiam a saudade da terra onde nasceram, e persuadiram seus filhos a virem para São Miguel, e assim aconteceu … Veio o meu pai para São Miguel com 24 anos. Chegados que são a São Miguel o meu avô paterno com a abundância do dinheiro que adquiriu nos Estados Unidos com o suor do seu rosto na labuta de cada dia, tornou-se proprietário de uma boa quantidade de alqueires de terra. Foi o meu avô paterno o primeiro homem da localidade a construir uma pequena casa no local das Queirozes para a criação de animais em especial suínos, possivelmente influencias de vivências no estrangeiro.

Durante muitas décadas de anos os nossos porcos foram criados em pocilgas à volta das nossas casas, na época de certo para “alguns o meu avô não devia jogar com todos os trunfos!” … Faleceu o meu avô paterno e depois de sua morte os terrenos aos poucos foram passando para outras mãos devido à falta de uma boa administração de seus herdeiros, o que sobra de tanto que possuíam é nesgas de terra e a casa que foi sempre pertença da família. Casaram os meus pais a 28 de Setembro de 1927 no tempo das vacas magras.

O namoro de meus pais não sei se poderei intitular de original visto que os namoros de agora não são como os de antigamente … imaginem o meu pai num extremo de uma mesa a minha mãe no outro, ao centro da mesa, uma vizinha de olhos e ouvidos alerta.

Com o casamento, e depois com o nascimento dos filhos, a saber, Leonel, Ângelo, Maria Filomena e Benjamim teve o meu pai de trabalhar a terra a sacho ou arado, ir às matas para a apanha de lenha com que se cozinhava, viradas de terra com água, descalço, quantas vezes com a roupa encharcada e remendada e mais que remendada colada ao corpo na lufa…lufa de cada dia para que não faltasse o pão-nosso de cada dia à sua família. 

Rebenta a Segunda Guerra Mundial e o meu pai como estrangeiro que era, ou regressava ao país de origem ou teria que pagar ao estado português a quantia de mil escudos, se não me falha a memória. O que é certo, não foi nada fácil para os meus pais ultrapassar mais este obstáculo com muita tenacidade com imensos sacrifícios à mistura. Posso dizer é que não sei dizer quanta vezes fui à loja com um ovo ou dois trocar por um pouco de sabão, uns pós de açúcar ou outra coisa qualquer. A propósito de açúcar lá uma vez que outra torrava a minha mãe numa sertã de barro uns grãos de milho que algumas vezes se comiam assim, outras vezes eram moídos, e com a farinha ligeiramente torrada confeccionava a minha mãe um pouco de café ao tomarmos o café… Mamã o café não tem açúcar! Mexe que está no fundo… E lá se mexia, mas o pouco açúcar que havia estava na loja.

A guerra ou guerras é sempre uma calamidade para os povos na sua maioria, para o meu pai, para nós foi benéfico, logo no início com a vinda dos americanos para a ilha de Santa Maria aquando da construção do aeroporto foi o meu pai com esperança de dias melhores e assim aconteceu. Como sabia o inglês foi intérprete ao serviço dos americanos, ao serem transferidos os americanos fizeram-lhe convite para a sua ida para as Lages, mas o meu pai não aderiu, preferiu ficar em Santa Maria, trabalhou alguns anos como empregado de mesa, depois como porteiro e quantas vezes recepcionista, guia de quando em quando a mostrar as deslumbrantes paisagens da ilha… O intérprete ideal, um homem de coração, um homem que muito amou.

Seu encontro com Deus foi em 16 de Abril de 1984.

- Pai para sempre estás no meu coração…

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São José é modelo dos Operários e Pais, possuía todas as virtudes em grau elevado a bênção Divina do Pai. (O Evangelho de São Mateus indica a genealogia do Santo Patriarca, basta para isso conferir como assim é lendo os primeiros dezassete versículos do Evangelho. Notemos no entanto, o cuidado do Evangelista em empregar a palavra (gerou) até São José e depois para evitar confusões acrescenta (esposo) de Maria da qual nasceu Jesus que se chama Cristo).

BENJAMIM CARMO

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