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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

FAZ HOJE 14 SOBRE A TRAGÉDIA QUE VITIMOU 2 CRIANÇAS NA RIBEIRA QUENTE

Terminou em tragédia a passagem do milénio no concelho da Povoação, freguesia de Ribeira Quente, com um terrível incêndio que infelizmente vitimou duas crianças.

Este não é um acontecimento bom passado no nosso concelho, foi uma autêntica desgraça, mas vimos aqui recordá-lo para que estes nossos irmãos não sejam esquecidos, pois partiram ao encontro do Senhor tão prematuramente, um rapaz de quatro anos, Marcelo Linhares, e uma rapariga de sete, Diana Linhares, estavam a dormir tranquilamente juntamente com o pai, Carlos Silva Linhares, num quarto de pequenas dimensões na sua humilde casa de madeira e cal. A mãe, Ana Maria Medeiros Pacheco Linhares, tinha saído para comprar pão.

Foi por volta da 9h00 da manhã que deflagrou o incêndio de grande envergadura e sem qualquer controle possível. O pai ao ver-se envolto no fumo intoxicante tentou salvar os filhos, mas sem qualquer sucesso. Embora sofrendo queimaduras, conseguiu sair pelas traseiras.

Alguns Populares tentaram apagar o fogo, mas em vão. As crianças já estavam sem vida e o fogo continuava na sua plenitude.

Nessa altura era eu membro efetivo do corpo de Bombeiros Voluntários da Povoação, seguimos para a Ribeira Quente sabendo que era fogo numa moradia, mas sem imaginar o cenário que iriamos encontrar. Fomos o mais rápido que podia-mos, com uma distância aproximada de 16,8 km e uma estrada pela frente com muitas curvas e os condicionalismos que todos conhecemos. Ao chegarmos ao local um amontoado de populares desesperados aguardavam-nos e berravam pelas crianças que se encontravam dentro da moradia, foi realmente um cenário terrível que só quem passa por estes momentos a que sabe.

Pouco havia a fazer pela vida das crianças, a rapidez com que o fogo se alastrou, os muitos produtos inflamáveis que se encontravam dentro da habitação e a distância entre o quartel de bombeiros e a freguesia da Ribeira Quente foram condicionantes adversos ao desfecho trágico que se veio a registar na manhã de 31 de dezembro do ano de 2000.

As duas crianças ribeiraquentenses morreram asfixiadas e carbonizadas, sendo a provável causa deste devastador incêndio um curto-circuito, que incendiou a casa rapidamente, uma vez que na dita moradia encontravam-se muitos produtos inflamáveis, não existindo quaisquer hipóteses de sobrevivência para aquelas crianças.

Devido a razões óbvias, as autoridades dispensaram a autópsia. O velório também foi dispensado e os dois irmãos foram sepultados no próprio dia no cemitério da Ribeira Quente.

A freguesia esteve de luto pelo sofrimento em causa e na altura cancelou todas as festividades de passagem de milénio que estavam programadas.

Infelizmente, este foi mais um entre outros acontecimentos trágicos no nosso concelho. A dor dos seus pais é inconsolável e jamais se apagará dos seus corações. Estas crianças ribeiraquentenses, povoacenses, partiram precocemente e hoje vimos aqui recordá-las, porque são membros da nossa comunidade e não estão esquecidas.

Que as suas almas descansem em paz! Ámen!

Fotos: José Linhares





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